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terça-feira, 30 de agosto de 2011

Campeonato Brasileiro vê bilheterias estagnadas entre 2010 e 2011

Receita bruta acumulada de todos os 176 jogos computados neste ano aponta R$ 48,4 milhões arrecadados
O primeiro turno do Campeonato Brasileiro terminou no último fim de semana, com Corinthians e Flamengo nas duas primeiras posições, respectivamente. Mas, embora os dois clubes de maior torcida do país estejam à frente na tabela, diferentemente do ano passado, as bilheterias de 2011 apontam números quase idênticos aos de 2010.
Dentre as 190 partidas que deveriam ter sido realizadas na primeira etapa da competição, uma foi adiada para outubro e 13 não possuem boletim financeiro publicado no site oficial da CBF, apesar de a legislação obrigar a entidade a tal tarefa. Com base nos registros de 176 jogos, portanto, o cenário praticamente não mudou.
A receita bruta acumulada de todos esses confrontos aponta R$ 48,4 milhões arrecadados, segundo levantamento feito pela Máquina do Esporte. Caso os 13 boletins financeiros faltantes estivessem disponíveis, esse indicador estaria muito próximo do que foi levantado no primeiro turno de 2010, em torno de R$ 55,9 milhões em 190 jogos.
Em termos de despesas com manutenção dos estádios e taxas impostas por árbitros e federações, a edição de 2011 do Nacional também é levemente inferior à de 2010. Ao todo, nesta temporada, foram gastos R$ 21,9 milhões, ante R$ 23,9 milhões do ano anterior. Novamente, os registros ausentes equilibrariam a conta.
Como ambos os indicadores acima estiveram muito perto dos que foram registrados no ano passado, a receita líquida obtida pelos mandantes - isto é, o dinheiro que de fato foi depositado nos cofres de cada um deles - não apresenta nenhuma incongruência. Foram R$ 22 milhões lucrados em 2011, contra R$ 24,9 milhões, em 2010.

Fonte: Máquina do Esporte - www.maquinadoesporte.com.br

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Clubes selam fim do torcedor de bilheteria

Estratégica elevação no preço dos ingressos obriga os torcedores dos clubes da capital a se associarem para ir ao estádio sem prejuízo. Política seleciona os “fiéis” Publicado em 03/04/2011 Gustavo Ribeiro, especial para a Gazeta do Povo As bilheterias dos estádios de Curitiba, onde alguns anos atrás se formavam filas quilométricas, dobrando as esquinas, agora estão vazias. O ritual de comprar o ingresso para um jogo de futebol naquela janelinha minúscula, sempre abaixo da linha da cabeça, está com os dias contados. Reflexo de um fenômeno mundial que aportou de vez por aqui e tem tudo para decretar o fim do torcedor de ocasião. Ingresso decola 114,47% Curitiba é a capital com o preço de ingresso mais inflacionado. A afirmação tem base em dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que apontam um aumento de 114,47%, entre os meses de fevereiro de 2006 e 2011. A cidade tem variação superior ao dobro no item “ingresso para jogo” em relação aos outros centros avaliados. O valor é tão significativo que o IPCA geral do período em Curitiba, envolvendo todos os outros setores analisados, foi de apenas 18,87%. A discrepância entre o preço do ingresso e do plano de sócios configura uma prática abusiva por parte dos clubes, de acordo com a coordenadora do Procon-PR, Claudia Silvano. “A abusividade está em induzir o consumidor a fazer um contrato por um determinado tempo. Poderia até ser diferenciado [o preço], mas não em valores tão distintos”, afirma ela. Há possibilidade de multa aos clubes, que varia entre R$ 300 e R$ 2 milhões, mas depende de a pessoa que se sentir lesada manifestar a insatisfação aos órgãos de defesa do consumidor. “Numa demanda coletiva, o dano ao clube é gigantesco”, fecha Claudia. A constatação tem explicações em pontas opostas, porém intimamente ligadas. Na mesma progressão em que o preço do ingresso não para de subir e o torcedor de bilheteria é cada vez mais raro, a figura do sócio-torcedor passa a dominar as arquibancadas, a um custo-benefício bem convidativo. A tendência é que, em um futuro próximo, os estádios curitibanos recebam exclusivamente associados ao clube. De pagantes mesmo, só os seguidores do adversário. Nos jogos do trio de ferro, a maioria do público já é formada por sócios. Atlético e Coritiba representam bem a nova realidade. Com planos mais antigos e maduros, a dupla recebe um público quase essencialmente de mensalistas desde 2009. Mais atrasado, o Paraná pela primeira temporada experimenta a minoria de torcedores de bilheteria, mesmo que em menor proporção. Os dois extremos se distanciam na medida em que o preço dos in­­gressos na boca do estádio au­­men­­ta. Quanto mais cara a entrada, mais vantajosa se torna a fidelização. Para assistir a um jogo no setor de arquibancada do Couto Pereira, por exemplo, paga-se R$ 60. Op­tando pelo plano de sócio, são R$ 54, com direito a assistir a todas as partidas no mês. “É uma série de estratégias para obrigar a pessoa que ia uma vez ao jogo, e não se associava, a contribuir com o clube. Se o torcedor prefere ir ao campo, se obriga a ser sócio”, explica o gerente de inteligência de mercado esportivo, Frederico Guaragna. Ele cita o exemplo do Barcelona como o mais “inconveniente”, afinal somente associados entram no Camp Nou. Mesmo que de forma discreta, os clubes comemoram esse momento, fundamentalmente no aspecto financeiro. Com a renda do público definida, de preferência já no início de cada temporada, a agremiação consegue se planejar a médio e longo prazos, sem ficar sujeita a fatores externos, como jogos com menor apelo ou chuva, por exemplo. O primeiro jogo de uma criança no estádio é o que muitas vezes define a perpetuação da espécie. Sem lugar nas arquibancadas, porém, a nova geração de atleticanos, coxa-brancas e paranistas está ameaçada. Se a associação em massa atingir o limite, quem virar torcedor terá de se contentar em assistir às partidas pela televisão ou aguardar a oportunidade criada por um sócio ausente ou inadimplente. “Brevemente teremos de limitar ou suspender [a venda de ingresso] porque não teremos mais lugar”, afirma o superintendente administrativo do Coritiba, José Rodolfo Gonçalves Leite, adiantando que o clube terá de pensar em uma forma de não inibir futuros coxas-brancas. “Por volta dos 30 mil sócios [hoje são cerca de 18 mil adimplentes, com capacidade liberada para cerca de 35 mil pessoas no Couto Pereira] vamos fazer uma análise de como seguir. É importante a rotatividade na torcida e por isso precisamos de um pedaço do estádio para desenvolver ações para atrair novos torcedores.” Por ora o Atlético, com a Arena mais perto da lotação máxima – 20.580 cadeiras ocupadas em uma capacidade liberada de cerca de 25 mil –, só oferece mesmo os lugares que estejam vagos. Mas aposta no extra-campo para angariar novos fãs. “Hoje, fenômenos da internet e meios de comunicação fazem com que a experiência com o clube esteja em todo o momento da vida do torcedor”, comentou em nota o Rubro-Negro. O Paraná, ao contrário, ainda vê no plano de sócios uma forma de fortalecer a torcida, e não limitá-la, como deixa claro o vice-presidente de marketing do clube, Vladimir Carvalho. “Temos um estádio para 20 mil pessoas e estamos buscando aproximar e trazer a torcida em potencial, que hoje está distante. Vamos trabalhar forte nisso para aumentar o banco de associados.” Texto sugerido por: José Carlos Mosko Fonte:http://www.gazetadopovo.com.br/esportes/conteudo.phtml?tl=1&id=1112402&tit=Clubes-selam-fim-do-torcedor-de-bilheteria