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terça-feira, 18 de março de 2014

50 anos do Golpe de 1964 e futebol: temas de um passado presente



Em 31 de março de 1964 o Brasil se deparava com o golpe que inaugurava um dos intervalos de maior recrudescimento político de sua história. Sob a tutela dos militares, amparados por parcela significativa da sociedade civil, o país mergulhava em um interstício de suas instituições democráticas, uma ação que não só freava o efervescente debate que se desenhava entre diferentes setores da sociedade como o substituía pelo autoritarismo e violência. 

Sob a falácia da Doutrina de Segurança Nacional, capaz de atribuir um sentido de ação comum a um movimento tão cindido quanto controverso, a autoproclamada Revolução não só se apoderava dos mecanismos de administração do país como localizava os seus inimigos sob uma categoria tão abrangente e relativamente vazia como a subversão. Para os apoiadores do movimento, a terminologia poderia ser facilmente apreendida como um enquadramento do outro, daquele que invertia os valores perdidos e se diferenciava dos bons preceitos que deveriam reger a vida familiar, cristã e ordeira do povo brasileiro. 

Nesses termos, a violência era vista como uma espécie de mecanismo de controle, um mal necessário com o qual se buscava sanar o tecido social fraturado e proteger as “pessoas de bem”. Seu emprego se convertia em uma espécie de medida pedagógica e punitiva, responsável tanto por estabelecer a ordem quanto combater os desvios. Paradoxalmente, o abuso da força, o cerceamento de liberdades até então constitucionais e a banalização da repressão – a qual se espalhava indiscriminadamente pelos diferentes aspectos da vida social, passando dos lugares tradicionais da política partidária até os múltiplos meios de produção cultural – não eram vistos pelos advogados do regime como contrapontos a democracia, mas precisamente como meios válidos de defendê-la.


Para os demais, aqueles minimamente cientes de suas discordâncias com a nova administração, a subversão surgia como um espectro invisível, tão temível quanto indecifrável. Gradualmente o crescente desacordo seria suprimido pelo medo, bastante palpável, sobretudo a partir da difusão dos órgãos de vigilância e repressão nos moldes dos DEOPS e DOI-CODI. Manifestar-se ou comportar-se de maneira contraria ao esperado poderia significar uma inclinação subversiva, acompanhada dos riscos inerentes a sua descoberta. Em certa media, ao apresentar um inimigo tão intangível como obscuro, a ditadura fazia de todos suspeitos em potencial. Desse modo, ocultar e / ou suprimir comportamentos, ideias ou mesmo gostos passariam a ser práticas comuns realizadas cotidianamente, tanto no plano coletivo quanto individual. Nesses casos, o temor da reação do Estado em vigor prescindia a urgência de sua intervenção direta. Entre esses sujeitos, mesmo os que jamais foram abordados pelos agentes da repressão, a proposta de democracia apresentada pelo regime se convertia apenas em violência.

Como bem mostraria o tempo, a intervenção militar, incialmente suposta como breve, se estenderia por mais de 20 anos, ao longo dos quais se mesclaria e afetaria de múltiplas formas a sociedade brasileira. Nada passaria incólume a ela, fosse no tocante a sua ingerência ativa ou com a sua simples, se é que podemos denomina-la assim, convivência. Nem mesmo o futebol. 

Não por acaso ainda nos deparamos com diferentes versões, leituras e memórias sobre os variados intentos de capitalização política da modalidade esportiva durante estes anos. Do mesmo modo, verificamos diferentes movimentos a partir do próprio universo futebolístico, com aproximações e distanciamentos em relação ao quadro político da época. Como o próprio regime, estes intentos estiveram longe da homogeneidade. Antes disso se caracterizaram pela reconfiguração constante entre a organização desportiva, os significados culturais locais e nacionais construídos ao redor do futebol e, sobretudo, sua capacidade de mobilização passional e popular ante um panorama político majoritariamente asséptico, incapaz de produzir e manter por si mesmo um sentido de legitimidade. 

Como exemplo, verificamos a eclosão de variadas interpretações sobre a conquista da Copa do Mundo de 1970, tanto no debate sobre a influência do regime na formação da equipe que conquistou o tri quanto no alcance dos discursos propalados em torno da vitória como meros mecanismos de propaganda e alienação massivas. Ou na segunda metade da década o progressivo inchaço do jovem campeonato nacional. Contexto em que se notava a relação dos dirigentes com os cenários políticos regionais, como era o caso do então presidente da CBD e dos primeiros anos da CBF, Almirante Heleno Nunes, também a frente da ARENA do Rio de Janeiro. Já em um sentido oposto, observamos as posturas contestatórias de jogadores como Afonsinho e Reinaldo, bem como a paradigmática experiência da democracia corintiana, contrastando simultaneamente com as estruturas gerencias do futebol e do regime, e a participação de jogadores, entre outros personagens, na campanha pelas diretas na década de 1980.

Em um ano em que a mobilização política, mesmo que difusa e controversa, flerta com o constante questionamento quanto as condições em que se desenvolve o processo de organização da Copa do Mundo no Brasil, também nos deparamos com o 50º aniversário do golpe militar. Longe de ser uma data para comemorar - algo que sequer precisaria ser dito - se trata de um convite a reflexão sobre o nosso passado recente, nossas práticas políticas e a maneira como sua memória se mantém como um desafio presente, inclusive na apreciação das relações políticas que cercam o futebol como fenômeno cultural singular no Brasil, eminentemente emotivo, popular e massivo.

Entre as ações, eventos e atividades que nos chamam a recordar criticamente este período, encontramos iniciativa da Rádio UFMG Educativa, que está produzindo uma série sobre o golpe, a ditadura militar e sua relação com distintos aspectos da sociedade e cultura do país no período, concedendo espaço especial para o futebol. Até o final do mês serão totalizados 50 programas, com a participação de diferentes convidados. O trabalho está sendo reunido e disponibilizado para consulta na internet.

Para verificar o que já foi lançado até aqui e o que está por vir, acessem:


Sugestão e comentários de Ernesto Sobocinski Marczal

sábado, 12 de outubro de 2013

Farc acompanham alegria da Colômbia por classificação para Copa do Mundo

Colômbia se classificou com drama, após gols de Falcao Foto: EFE

As Farc celebraram desde Havana a classificação da seleção colombiana para a Copa do Mundo do Brasil, equipe que felicitou por ter concebido essa "grande alegria" para o povo colombiano.

"Estamos aqui muito contentes pelo empate conquistado em Barraquilla frente aos bravos araucanos do Chile. Estamos acompanhando toda essa festa, essa alegria que há na Colômbia. O esporte une povos e nações", disse perante os meios de comunicação o guerrilheiro "Ricardo Téllez".

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Lance! entrevista Alex



Fontes: 
http://www.lancenet.com.br/minuto/Alex-brasileiro-Globo-CBF-reunioes_0_970703171.html

http://www.lancetv.com.br/videos/VIDEO-Assista-melhores-entrevista-Alex_3_971332862.html

Video: https://www.youtube.com/watch?v=mgAFtd_2FRM

Sugestão e comentários de Ernesto Sobocinski Marczal.

No início do mês o meio-campista Alex, atualmente no Coritiba, concedeu entrevista para o jornal esportivo Lance!. O vídeo foi levado ao ar através da página do periódico na internet, obteve ampla repercussão e reverberou em diferentes veículos de comunicação, tais como portais de notícias e entretenimento, além de gerar comentários em diversos blogs e redes sociais. Fugindo do diálogo padrão com os jogadores ainda em atividade, a conversa se desenvolveu de maneira bastante fluída, desdobrando-se para além da fórmula de questões / respostas limítrofes quanto à carreira do jogador, seus momentos de gloria e percalços, evidentemente superados na construção narrativa, ou a atual condição de sua equipe na disputa do campeonato da vez.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Protestos deixam Blatter em dúvida sobre acerto ao levar Copa ao Brasil

Protestos sociais fizeram Blatter questionar se a Fifa fez a escolha certa Foto: Daniel Ramalho / Terra

Presidente da Fifa, Joseph Blatter declarou nesta quarta-feira que escolher o Brasil para sediar a Copa do Mundo de 2014 pode ter sido um erro. As palavras do dirigente foram motivadas depois dele presenciar os protestos sociais que aconteceram no País ao longo de junho, durante a Copa das Confederações, com a população reclamando, inclusive, dos altos gastos para a realização do torneio em solo nacional.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Reforma do futebol já!

 Juca Kfouri

Nestes tempos de mudança, o futebol, gota d'água com seus estádios faraônicos que ajudou a transbordar o copo da insatisfação popular, não pode deixar de ser meta, objetivo, gol!, da necessária ruptura.

Por incrível que pareça, em 15 dias, a seleção, que não agradava ninguém, está melhor que o país, que aparentemente vivia feliz --embora não pudesse nem devesse.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Defendido por Havelange, Videla usou Copa em prol da ditadura Argentina

General Videla entregou a taça da Copa do Mundo para Daniel Passarella em 78
General Videla entregou a taça da Copa do Mundo para Daniel Passarella em 78


Morto na última sexta-feira, o ditador Jorge Rafael Videla foi um dos principais personagens do Mundial mais controverso da história. À frente da Argentina entre 1976 e 1981, usou a Copa do Mundo de 78, organizada no país e vencida pela seleção local, como propaganda de um governo responsável pela morte de 30 mil pessoas.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Notícia da Semana


A notícia da semana que podemos destacar em nosso blog é a repercussão das reportagens veiculadas pelo jornal Gazeta do Povo nos últimos dias. “Notícia da semana”, mas que na verdade tem um histórico de pelo menos três anos e certamente se prolongará por muitos anos. Trata-se da dimensão que o custo financeiro com a realização da Copa, sobretudo com relação ao uso do dinheiro público, vem adquirindo. As notícias podem ser encontradas no caderno especial Copa 2014, da Gazeta do Povo, como por exemplo a de hoje (23.10.2012), que trata do superfaturamento da compra de cadeiras para o estádio e, sobretudo, da criação de uma CPI na Assembleia Legislativa do Paraná. Uma CPI para analisar não a apenas o caso do CAP, mas também o custo das obras de mobilidade urbana, que praticamente dobraram em relação ao orçamento original. O assunto é complexo e se encontra em andamento, sendo difícil tirar conclusões. Mas o que eu gostaria de destacar é por que apenas agora, nesta semana, tudo isso vem à tona? Todos sabem que a construção do estádio do Atlético e as obras urbanas relacionadas à Copa têm problemas. Causa estranheza que o Tribunal de Conta do Estado, até o momento não tenha se posicionado de forma clara às questões que a oposição partidária da Câmara dos Vereadores vem colocando: a transferência de recursos da Prefeitura (poder público) para o Atlético (empresa privada) construir o seu estádio é legal ou não?

domingo, 26 de agosto de 2012

Crônica da Semana


Palestra com o prof. Augusto Nascimento Diniz: “Significação política e social do desporto em São Tomé e Príncipe, do colonialismo ao tempo presente”.
Por Daniel Ferreira, mestrando em História pela UFPR



O Núcleo de Estudos Futebol e Sociedade, recebeu nesta quinta feira dia 23 de agosto, o professor Dr. Em sociologia Augusto Nascimento Diniz. O professor da Universidade de Nova Lisboa, apresentou a palestra intitulada “Significação política e social do desporto em São Tomé e Príncipe, do colonialismo ao tempo presente”.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Comissão pede que Fifa investigue reeleição de Blatter e casos de corrupção

  • Presidente Joseph Blatter terá reeleição investigada Presidente Joseph Blatter terá reeleição investigada
Uma comissão de políticos europeus pediu a Fifa, entidade que comanda e regula o futebol mundial, que investigue a reeleição de seu presidente, Joseph Blatter, ocorrida no ano passado, além de publicar documentos relacionados a suspeitas de corrupção.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

ROMÁRIO: A FARRA TÁ SÓ COMEÇANDO


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Parte da entrevista do ROMÁRIO ao jornalista Cosme Rimoli da TV Record
Você foi recebido com preconceito em Brasília?
Olha, vou ser claro para quem ler entender como as coisas são. Há o burro, aquele que não entende o que acontece ao redor. E há o ignorante, que não teve tempo de aprender. Não houve preconceito comigo porque não sou nem uma coisa nem outra. Mesmo tendo a rotina de um grande jogador que fui, nunca deixei de me informar, estudar. Vim de uma família muito humilde. Nasci na favela. Meu pai, que está no céu, e minha mãe ralaram para me dar além de comida, educação. Consciência das coisas... Não só joguei futebol. Frequentei dois anos de faculdade de Educação Física. E dois de moda. Sim, moda. Sempre gostei de roupa, de me vestir bem. Queria entender como as roupas eram feitas. Mas isso é o de menos. O que importa é que esta sede de conhecimento me deu preparo para ser uma pessoa consciente... Preparada para a vida. E insisto em uma tese em Brasília, com os outros deputados. O Brasil só vai deixar de ser um país tão atrasado quando a educação for valorizada. O professor é uma das classes que menos ganha e é a mais importante. O Brasil cria gerações de pessoas ignorantes porque não valoriza a Educação. E seus professores. Não há interesse de que a população brasileira deixe de ser ignorante. Há quem se beneficie disso. As pessoas que comandam o País precisam passar a enxergar isso. A Saúde é importante? Lógico que é. Mas a Educação de um povo é muito mais!
Essa ignorância ajuda a corrupção? Por exemplo, que legado deixou o Pan do Rio?Você não tenha dúvidas de que a ignorância é parceira da corrupção. Os gastos previstos para o Pan do Rio eram de, no máximo, R$ 400 milhões. Foram gastos R$ 3,5 bilhões. Vou dar um testemunho que nunca dei. Comprei alguns apartamentos na Vila Panamericana do Rio como investimento. A melhor coisa que fiz foi vender esses apartamentos rapidamente. Sabe por quê? A Vila do Pan foi construída em cima de um pântano. Está afundando. O Velódromo caríssimo está abandonado. Assim como o Complexo Aquático Maria Lenk... É um escândalo! Uma vergonha! Todos fingem não enxergar. Alguém ganhou muito dinheiro com o Panamericano do Rio. A ignorância da população é que deixa essa gente safada sossegada. Sabe que ninguém vai cobrar nada das autoridades. A população não sabe da força que tem. Por isso que defendo os professores. Não temos base cultural nem para entender o que acontece ao nosso lado. E muito menos para perceber a força que temos. Para que gente poderosa vai querer a população consciente? O Pan do Rio custou quatro vezes mais do que este do México. Não deixou legado algum e ninguém abre a boca para reclamar.
Se o Pan foi assim, a Copa do Mundo no Brasil será uma festa para os corruptos ...
Vou te dar um dado assustador. A presidente Dilma havia afirmado quando assumiu que a Copa custaria R$ 42 bilhões. Já está em R$ 72 bilhões. E ninguém sabe onde os gastos vão parar. Ningúem. Com exceção de São Paulo, Rio, Minas, Rio Grande do Sul e olhe lá...Pernambuco... Todas as outras sete arenas não terão o uso constante. E não havia nem a necessidade de serem construídas. Eu vi onze das doze... Estive em onze sedes da Copa e posso afirmar sem medo. Tem muita coisa errada. E de propósito para beneficiar poucas pessoas. Por que o Brasil teve de fazer 12 sedes e não oito como sempre acontecia nos outros países? Basta pensar. Quem se beneficia com tantas arenas construídas que servirão apenas para três jogos da Copa? É revoltante. Não há a mínima coerência na organização da Copa no Brasil.
São Paulo acaba de ser confirmado como a sede da abertura da Copa. Você concorda?
Como posso concordar? Colocaram lá três tijolinhos em Itaquera e pronto... E a sede da abertura é lá. Quem pode garantir que o estádio ficará pronto a tempo? Não é por ser São Paulo, mas eu não concordaria com essa situação em lugar nenhum do País. Quando as pessoas poderosas querem é assim que funcionam as coisas no Brasil. No Maracanã também vão gastar uma fortuna, mais de um bilhão. E ninguém tem certeza dos gastos. Nem terá. Prometem, falam, garantem mas não há transparência. Minha luta é para que as obras não fiquem atrasadas de propósito. E depois aceleradas com gastos que ninguém controla.
O que você acha de um estádio de mais de R$ 1 bilhão construído com recursos públicos e entregue para um clube particular?Você está falando do estádio do Corinthians, não é?!  Não vou concordar nunca. Os incentivos públicos para um estádio particular são imorais. Seja de que clube for. De que cidade for. Não há meio de uma população consciente aceitar. Não deveria haver conversa de politico que convencesse a todos a aceitar. Por isso repito que falta compreensão à população do que está acontecendo no Brasil para a Copa.
A Fifa vai fazer o que quer com o Brasil?Infelizmente, tudo indica que sim. Vai lucrar de R$ 3 a R$ 4 bilhões e não vai colocar um tostão no Brasil. É revoltante. Deveria dar apenas 10% para ajudar na Educação. Iria fazer um bem absurdo ao Brasil. Mas cadê coragem de cobrar alguma coisa da Fifa. Ela vai colocar o preço mais baixo dos ingressos da Copa a R$ 240,00. Só porque estamos brigando pela manutenção da meia entrada. É uma palhaçada! As classes C, D e E não vão ver a Copa no estádio. O Mundial é para a elite. Não é para o brasileiro comum assistir.
Ricardo Teixeira tem condições de comandar o processo do Mundial de 2014?
Não tem de saúde. Eu falei há mais de quatro meses que ele não suportaria a pressão Ser presidente da CBF e do Comitê Organizador Local é demais para qualquer um. Ainda mais com a idade que ele tem. Não deu outra. Caiu no hospital. E ainda diz que vai levar esse processo até o final. Eu acho um absurdo.
Muito além da saúde de Ricardo Teixeira. Você acha que pelas várias denúncias, investigações da Polícia Federal... Ele tem condições morais de comandar a organização Copa no Brasil?
Não! O Ricardo Teixeira não tem condições morais de organizar a Copa! Não até provar que é inocente. Que não tem cabimento nenhuma das denúncias. Até lá, não tem condições morais de estar no comando de todo o processo. Muito menos do futebol brasileiro ...

Texto sugerido e com comentários de André Mendes Capraro

Romário, sem dúvida, foi uma grata revelação na política brasileira. Lembro-me que já na primeira semana letiva na Câmara dos Deputados foi flagrado jogando futevôlei nas praias cariocas. E foi aquela repercussão... Um jornalista paulista chegou a comentar: - Estranharia se o encontrasse em Brasília!

Pois bem, além de ser um dos deputados mais presentes nas plenárias, Romário superou esteriótipos e preconceitos e hoje é uma voz ativa e ponderada no combate aos descalabros cometidos pelos dirigentes e políticos que rodeiam o esporte brasileiro.

Creio que alguns dirigentes, empreiteiros e políticos, ao lutar pela realização da Copa do Mundo de futebol e das Olimpíadas, sabendo da emotividade do brasileiro e da comoção geral, nunca imaginariam que se existiria uma oposição tão organizada, informada e engajada.

Logo, implementaram o plano B: atrasar todas as obras até que emergencialmente o dinheiro corra livremente sem o rigor da fiscalização. E nós, contribuintes, devemos seguir o exemplo de Romário: olho neles, pois todo cuidado é pouco!
 

domingo, 11 de dezembro de 2011

Crônica da Semana


Futebol, qual paixão?
Luiz Carlos Ribeiro

As últimas semanas aconteceram fatos que nos levam a refletir – sempre e sempre! – sobre o forte envolvimento emocional que o futebol exerce sobre todos nós.

Podemos começar pelas recentes investidas de marketing do desgastado Teixeira e de sua/nossa entidade, a CBF, lembrando-nos da nossa paixão pelo futebol. A conversa começou com a indicação pela Presidente Dilma, em julho último, de Pelé como embaixador honorário da Copa de 2014. Explicitamente foi uma forma da governante se distanciar da imagem de Ricardo Teixeira. Se associar o governo à imagem da seleção tem sido uma prática comum no Brasil (desde Vargas nos anos 1930/40, os militares nos anos 70, até Lula), explicar que CBF/Teixeira não é Neymar nem seleção brasileira, certamente não será tarefa fácil.

Até por que os políticos brasileiros e base política de Dilma – de Brasília e das capitais envolvidas na Copa – estão comprometidos não com futebol-arte de Neymar, mas com as oportunidades (que alguns mais puristas preferem chamar de legado) e investimentos que supostamente a realização da Copa irá proporcionar, em especial para os seus interesses políticos (ou das empresas que patrocinam suas candidaturas).
Foram diversos os momentos em que as divergências entre governo federal e Teixeira se explicitaram nos últimos anos. Um deles pode ter sido com a infeliz entrevista concedida por Teixeira ao jornal cultural Piauí, em junho deste ano. Nesta entrevista, o dirigente tornou pública a sua prepotência, desdenhando da imprensa e deixando claro que eventos esportivos – desde o campeonato brasileiro a Copa de 14 – são organizados conforme a sua vontade. Chegou a afirmar que as denúncias contra ele por alguns jornais e TV não tem repercussão, e que só se preocuparia quando as denúncias chegassem ao Jornal Nacional. Manifestação que repercutiu como uma declaração pública de que era um protegido da Globo.

Nessa entrevista, Teixeira dirigiu sua crítica em especial à reportagem que a Record levara ao ar com um dossiê sobre abuso de poder e malversação de recursos via CBF. Na verdade, a serie da Record só foi produzida após a derrota desta para a Rede Globo, na disputa pela transmissão dos jogos do brasileirão de 2012/13. O mesmo imbróglio que resultou no fim político do Clube dos 13. As denúncias da série televisa foram baseadas no livro do jornalista inglês Andrew Jennings e no relatório da CPI CBF-Nike, publicado em livro 2001 pelos então deputados Silvio Torres e Aldo Rebelo (atual Ministro dos Esportes).

Quase toda discussão na imprensa, nesse momento, afirmava que até 2014 o Brasil estará sendo governado em torno do poder político de Ricardo Teixeira. O governo brasileiro – leia-se Presidente Dilma – será mero coadjuvante dos interesses da FIFA e sua filiada, a CBF.

O problema é que – assim como vem acontecendo com vários ministros – ao se tornar figura central da política brasileira, Ricardo Teixeira perdeu o controle sobre as disputas em torno do evento de 2014.
Desde governadores, prefeitos, deputados, empresários, dirigentes de clubes, enfim todos os que de algum modo vêm perspectivas de ter ganhos com a realização da Copa passaram a pressionar o comandante da CBF. De tal maneira que a velha estratégia de acomodar os amigos começou a se tornar inviável. Em síntese, os descontentes, os que estavam ficando de fora do “legado” da Copa, tornaram-se inimigos de Teixeira e passaram a escancarar suas manobras.

E, o sinal temido por Teixeira, não demorou a acontecer. Em agosto desse ano o Jornal Nacional apresentou reportagem de 3 minutos destacando as irregularidades ocorridas no amistoso entre Brasil e Portugal, em 2008.
Segundo a denúncia, a empresa Ailanto Marketing, criada em cima da hora por Teixeira para promover o evento, sequer tinha telefone de contato e que os nove milhões de reais repassados pelo governo de Brasília eram irregulares. Veja a reportagem em: http://www.youtube.com/watch?v=byVLRy-fvaw Alguns meses após a denúncia o governador distrital, José Roberto Arruda, teve seu mandato cassado.

A partir daí foram diversas os manifestações da Rede Globo, expondo de forma clara as denúncias contra Teixeira. Ver mais em: http://www.youtube.com/watch?v=PvwubNjAvjE&feature=related
Nesse momento Dilma não mais recebia Teixeira e se recusava a sentar ao seu lado em ventos públicos. Aliás, o próprio Teixeira passou a evitar aparecer em público. O seu desgaste acelerou a demissão, por acusação de corrupção, de um seu aliado, o Ministro dos Esportes Orlando Silva.
Além do front nacional, Teixeira, pelo mesmo motivo de não conseguir conciliar amigos e inimigos, viu seu sonho de candidatar-se à presidência da FIFA em 2015 virar pesadelo. Na tentativa de enfraquecer Blatter, Teixeira apoiou o representante do Catar, Mohamed Bin Hamman. Não por acaso, estoura denúncias contra Teixeira e Hamman envolvendo negociatas que ultrapassavam a casa dos US$ 150 milhões. Como resultado Teixeira conquistou um adversário de peso, Joseph Blatter, presidente reeleito da FIFA.
De volta ao front nacional, de posse desse material o Ministério Público Federal pediu a abertura de inquérito policial contra Ricardo Teixeira por lavagem de dinheiro.

Nesse momento, enquanto o Deputado Federal Romário sugere ao governo um interventor na CBF, Teixeira dá ainda sinais de vida e nomeia Ronaldo Fenômeno como membro do Comitê Organizador da Copa de 2014. Triste fim para as imagens de Pelé e Ronaldo. Quando de sua apresentação como membro do Comitê, Ronaldo lê de forma reticente quais serão as suas tarefas, e afirma que assumia na perspectiva salvar a imagem da Copa do Mundo de Futebol no Brasil. Afirma que está pensando no povo e que perspectiva é a de “aproximar pessoas” acabar com as desconfianças, mesmo sabendo que pode estar “jogando pela janela” toda a história de sua vida. E conclui com uma frase lapidar: “copa do mundo não se faz com hospital, se faz com estádios “. (ver depoimento em: http://sportv.globo.com/videos/copa-2014/v/ronaldo-membro-do-comite-da-copa-2014fala-sobre-as-tarefas-do-novo-cargo/1715796/)

Somada a essa cartada de marketing, a CBF lançou a cerca de duas semanas um vídeo sobre as realizações da entidade – leia-se Ricardo Teixeira – em que, ao final do vídeo lê-se abaixo do emblema da CBF a seguinte frase: “CBF cuidando da nossa paixão.”

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Federação Catarinense pode expulsar do estádio torcedores que protestarem contra CBF


Ricardo Teixeira seria alvo das críticas (EFE)
Ricardo Teixeira seria alvo das críticas
Ricardo Teixeira estará blindado no jogo entre Avaí e Figueirense no próximo fim de semana no Orlando Scarpelli. Ao menos foi o que garantiu a Federação Catarinense de Futebol em comunicado divulgado em seu site.

De acordo com nota, a entidade repudia qualquer manifestação ofensiva realizada no clássico catarinense contra o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

A decisão, que teve apoio dos presidentes das duas equipes, cogita inclusive proibir a entrada dos torcedores no estádio. Leia abaixo a nota na íntegra:

A Federação Catarinense de Futebol vem a publico manifestar seu repudio contra qualquer manifestação ofensiva, realizada em jogos no território de Santa Catarina, direcionada ao Presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Dr. Ricardo Terra Teixeira, bem como à própria CBF.

Especialmente com relação a informações veiculadas na imprensa referentes ao clássico entre Figueirense e Avaí, válido pela Série “A” do Campeonato Brasileiro, que será realizado no próximo domingo, 28 de agosto, no estádio Orlando Scarpelli, as presidências das duas equipes também se mostraram absolutamente contrárias a este tipo de atitude por parte de seus torcedores.

A FCF ressalta que este tipo de manifestação se configura como uma infração ao Estatuto do Torcedor, cujo artigo 13-A, inciso IV, dispõe: “São condições de acesso e permanência do torcedor no recinto esportivo sem prejuízo de outras condições previstas em lei”- IV - “não portar ou ostentar cartazes, bandeiras, símbolos ou outros sinais com mensagens ofensivas, inclusive de caráter racista ou xenofóbico”.

O parágrafo único deste artigo estabelece que “o não cumprimento das condições estabelecidas neste artigo implicará a impossibilidade de ingresso do torcedor ao recinto esportivo, ou, se for o caso, o seu afastamento imediato do recinto, sem prejuízo de outras sansões administrativas, civis ou penais eventualmente cabíveis”.

A Diretoria e o Presidente da FCF, Dr. Delfim Pádua Peixoto Filho, reiteram sua parceria e seu apoio à Confederação Brasileira de Futebol e seu Presidente, Dr. Ricardo Teixeira, que sempre foi um amigo e deu suporte ao futebol catarinense. Lembramos ainda que “ninguém será considerado culpado até o transito em julgado ter sentença penal condenatória”, conforme trata nossa Constituição Federal, no inciso LVII do Artigo 5º.

A Federação Catarinense de Futebol deseja ainda que os jogos realizados no estado sejam momentos de confraternização e lazer para os torcedores, e que prevaleça o espírito esportivo, com paz entre as torcidas e destas com relação a todos os envolvidos no meio esportivo, sejam clubes, órgãos de imprensa ou entidades administradoras do desporto.

Assessoria de Imprensa - FCF

fonte:http://virgula.uol.com.br/ver/noticia/esporte/2011/08/25/282899-federacao-catarinense-pode-expulsar-do-estadio-torcedores-que-protestarem-contra-cbf

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Transparência Internacional cobra Fifa sobre casos de corrupção; entidade responde


ONG diz que é primordial criação de órgão independente para investigação de casos envolvendo dirigentes da entidade; Blatter reafirma ‘compromisso’
Equipe Universidade do Futebol
Um abraço à transparência, com limitação do número de mandatos de diretores e criação de órgão independente para analisar denúncias. Essa foi a sugestão da Transparência Internacional, ONG que tem sede em Berlim e é conhecida por fazer um ranking da percepção de corrupção em cada país, à Fifa.

Em relatório apresentado nesta terça-feira, a TI disse que apesar de recentes medidas adotadas, a entidade que comanda o futebol mundial ainda passa a impressão de ser gerida “como uma rede de velhos garotos”.

De prontidão, a Fifa reagiu com a emissão de uma nota. Nela, reafirma-se o compromisso de Blatter em demonstrar tolerância zero com qualquer forma de corrupção no futebol.
“Embora a Fifa admita que há trabalho a ser feito, ela está convencida de que as medidas que foram implantadas e a direção que foi tomada ajudarão a fortalecer ainda mais a governança da Fifa em cooperação com o Comitê Executivo da Fifa, as associações afiliadas, as confederações e outros envolvidos na Fifa”, diz nota da ONG.

Ter um sistema fiscalizador composto por pessoas de fora do futebol (estadistas eméritos, empresas e sociedade civil) e de dentro do esporte (inclusive jogadores, dirigentes do futebol feminino, árbitros e torcedores), seria o passo primordial nesse processo.
“A Fifa diz que quer se reformar, mas sucessivos escândalos de suborno levaram a confiança do público na entidade ao seu menor nível histórico”, argumentou Sylvia Schenk, consultora-sênior da TI para os esportes.
“Trabalhar com um grupo supervisor --recebendo seus conselhos, dando-lhe acesso, permitindo que participe em investigações-- irá demonstrar se haverá uma mudança real. O processo tem de começar agora”, acrescentou.

Blatter já prometeu criar uma comissão fiscalizadora, e citou como possíveis integrantes o ex-secretário de Estado dos EUA Henry Kissinger e o tenor espanhol Plácido Domingo. E como “uma organização não-governamental e não lucrativa e uma companhia global com enorme faturamento, um alcance sem precedentes, influência política e enorme influência social mundial”, de acordo com palavras da TI, terá de dar uma resposta ao público.

A ONG bate diretamente nas 208 federações afiliadas, que elegem o presidente da entidade e se beneficiam da distribuição das suas verbas. São relembrados alguns dos vários escândalos de corrupção no ano passado, como aquele em que dois membros do Comitê Executivo foram banidos por suspeita de tentarem vender seus votos na escolha das sedes das Copas de 2018 e 22.

No útimo mês, o presidente da Confederação Asiática de Futebol, Mohammed Bin Hammam, também foi banido do futebol por supostamente tentar comprar votos na eleição para a presidência da Fifa, em junho, quando ele era candidato. À ocasião, Jack Warner, influente membro do Comitê Executivo, renunciou depois de ser colocado sob investigação pelo mesmo episódio.

fonte:http://www.universidadedofutebol.com.br/2011/08/2,15553,TRANSPARENCIA+INTERNACIONAL+COBRA+FIFA+SOBRE+CASOS+DE+CORRUPCAO;+ENTIDADE+RESPONDE.aspx

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Os riscos de uma arena para a Copa do Mundo

A decisão foi política, como já tinha ficado claro desde o momento em que o presidente da Fifa, Joseph Blatter, levantou o papel com o nome do Brasil escolhido para sede da Copa de 2014. Desde aquele já longínquo 30 de outubro de 2007, o Mundial brasileiro passou a ser um jogo político, em que o negócio e a racionalidade na gestão de recursos deram lugar a interesses pessoais e conjunturas para favorecimento e/ou prejuízo de outros.
O episódio mais recente disso é a escolha de um possível estádio corintiano para ser a sede paulistana durante a competição. Não, nada contra o Corinthians, ou a favor do São Paulo, do Morumbi, da Arena Palestra Itália ou do que quer que valha.
Esqueça a paixão clubística. Torça pela sua cidade, pelo seu dinheiro, pelo seu país.
São Paulo havia se preparado, desde sempre, para fazer a Copa no Morumbi. Recursos públicos seriam alocados para a melhoria da infraestrutura de transporte local (o que é dever do Estado, não há qualquer discussão sobre isso). Uma mudança de planos foi causada pela disputa política entre os presidentes da CBF e do São Paulo. E a cidade nessa?
Orgulhosa de ser o “motor do país”, a cidade de São Paulo é a que pior exemplo tem dado na gestão da Copa do Mundo. A arrogância paulistana mais uma vez falou mais alto. “Só nós somos capazes” é um lema que nós, paulistanos, adoramos usar. Mas a certeza de realização poderá ser cruel na questão do Mundial. Já se foram quase três anos desde que o Brasil foi escolhido como sede. Restam menos de três anos para o evento-teste da Fifa, que será a Copa das Confederações em 2013.
Dá para construir um novo estádio até lá? Sem dúvida. Mas e as questões urbanas, numa cidade tão complexa como São Paulo, são possíveis de serem resolvidas? Esse talvez seja o grande problema.
Ainda não há detalhes sobre o novo estádio corintiano. O que se sabe é que ele estará em Itaquera, região que, tal qual o Morumbi, carece de melhores investimentos em infraestrutura de transportes. Até aí, nada de novo. Mas será que em três anos é possível sanar essas deficiências? Capacidade de realização pode até ser que se tenha, mas com qual nível de qualidade? Qual é o exemplo que a cidade “motor” do país quer deixar?
Mais além disso, a questão seguinte é especificamente para o Corinthians. Um estádio em Itaquera é o melhor para o clube? Sem dúvida que é melhor do que se pagar a conta de aluguel do Pacaembu. Mas e o torcedor que já está acostumado, desde sempre, a ter o estádio municipal como “casa” do Timão? Ele vai concordar em ter de se deslocar para outro lugar? O hábito de consumo está intimamente ligado à região em que o estádio se localiza.
O estudo de viabilidade de uma arena é fundamental antes de sua construção. Se o Engenhão, por exemplo, tivesse feito o seu, perceberia que seria impossível manter um estádio daquele tamanho numa região distante do centro da cidade.
Em 1990, os italianos de Turim, uma espécie de São Paulo italiana, celebrou a construção do Delle Alpi para a Copa do Mundo. Afastado do centro, moderno (para a época), para ser usado pela maior torcida da cidade (e da Itália), não tinha como dar errado! A Juventus, 20 anos depois, já aprovou a construção de um estádio numa região mais central, para diminuir o prejuízo que tinha com a instalação “distante e fria”, como o próprio clube a classificou.
Em 1996, os holandeses de Amsterdã viram com certo receio a construção da Amsterdam Arena, numa região afastada do centro. Hoje, 15 anos depois, o local onde está o estádio é um dos mais valorizados centros de negócios da Europa. A arena tem casa cheia a maior parte do tempo e os imóveis da região passaram a valer muito dinheiro.
O que diferencia um caso do outro?
O primeiro estádio foi feito pensando-se na Copa do Mundo, sem preocupação com o conforto do torcedor e, também, com a facilidade de acesso ao local. O segundo, foi criado pensando-se em revitalizar uma área degradada de Amsterdã e oferecer uma arena adequada às exigências cada vez maiores do consumidor. O futebol é o motivo de tudo, mas o estádio e seu entorno foram construídos pensando-se em 24 horas de utilização, durante 365 dias do ano. Além disso, o Delle Alpi é gerenciado pela Juventus, enquanto que a arena de Amsterdã é controlada por uma empresa cuja função é fazer o local ser lucrativo e movimentado o tempo inteiro.
Quem vai gerenciar a nova arena do Corinthians? Como será o acesso do torcedor a ela?
Essas são questões que ainda estão de pé. E são fundamentais para que, de novo, a política não fale mais alto do que o negócio. Do contrário, a cidade de São Paulo terá um lindo e novo estádio para a abertura da Copa do Mundo. E, depois disso, ele será uma tremenda dor de cabeça para o dono dessa arena.
O estádio não pode ser pensado para a Copa do Mundo, mas sim para o dia-a-dia. Felizmente, a arena corintiana não será pública. É uma conta a menos para a população pagar.


Fonte: http://negociosdoesporte.blog.uol.com.br/arch2010-08-22_2010-08-28.html#2010_08-28_08_53_11-136381883-0
Texto sugerido por: Celso Moletta Júnior

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Futebol, debate e a audiência da TV

E, obviamente, a audiência na televisão para o jogo São Paulo x Internacional foi quase sete vezes maior do que a da transmissão do primeiro debate entre os presidenciáveis. A goleada do futebol sobre o debate entre os candidatos à presidência do país era mais do que prevista. Não porque o povo do Brasil seja alienado, ou então porque somos o país do futebol, mas simplesmente porque o debate foi realizado na Band, emissora que detém geralmente a quarta ou quinta maior audiência na TV aberta, enquanto que o jogo foi exibido na emissora de maior audiência, a Globo.

Isso, por si só, explica a goleada futebolística. Mas, também, mostra que o público na TV é bastante fiel à programação da emissora de sua preferência, muito mais do que do conteúdo que é veiculado em todas as mídias. A Band continuou com o quarto lugar entre todas as emissoras do país. Mais ou menos a mesma posição que ocupa no dia-a-dia, quando exibe sua programação normal. Apenas às segundas-feiras de noite, com o CQC, a emissora tem tido melhor performance na medição do Ibope.

No passado, a Band chegou a ter 20 pontos no Ibope. Era quando transmitia, aos domingos, a "Faixa Nobre do Esporte". Recentemente, bateu nas tardes de quarta-feira, os 15 pontos. Foi na exibição exclusiva de jogos da Liga dos Campeões da Europa...
Política não levanta tanto a bola da audiência. Mas, sem dúvida, é só a bola rolar que o Ibope aumenta.

Por: Erich Beting
fonte: http://negociosdoesporte.blog.uol.com.br/arch2010-08-01_2010-08-07.html#2010_08-06_15_24_25-136381883-0
Texto sugerido por: Edson Hirata