No dia do goleiro, ex-arqueiro do Bota relembra episódio em que precisou pular um muro do Mourisco para fugir dos disparos do comentarista.
João Saldanha não costumava levar desaforo para casa. Chamado até de João Sem Medo, o comunista assumido participou de guerrilhas e greves. Em um dos atos mais ensandecidos, aceitou o desafio de treinar a seleção brasileira um ano antes da Copa do Mundo de 1970, em meio a uma ferrenha ditadura militar. Política à parte, o comentarista esportivo era capaz de sacar uma arma e alvejar o goleiro do seu time de coração, inclusive indicado por ele para o clube. Foi assim que deixou marcada uma das histórias mais incríveis do futebol. Coube a Manga, assustado, pular um muro de quase três metros, segundo relatam pessoas que estiveram no Mourisco, sede náutica do Botafogo, no dia 19 de dezembro de 1967. A data era comemorativa. Os jogadores alvinegros festejavam a conquista de mais um título do Campeonato Carioca quando o som da bala era tudo que se fazia presente no local do Jantar da Vitória (como era tratado o evento).