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terça-feira, 30 de abril de 2013

Havelange renuncia à presidência de honra da Fifa após investigação

Relatório do Comitê de Ética diz que brasileiro deixou cargo em 18 de abril e revela detalhes do envolvimento de brasileiros com o caso ISL.

João Havelange, Presidente de Honra da FIFA (Foto: AFP)

João Havelange, de 96 anos, renunciou ao cargo de presidente de honra da Fifa após a investigação do caso ISL. A revelação foi feita em um relatório divulgado pelo Comitê de Ética da entidade nesta terça-feira.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Um ano após renúncia da CBF, Teixeira desfruta de casas de alto padrão em Miami

 
 Iate de 60 pés ancorado na marina da mansão de Ricardo Teixeira, em Miami

As quatro ilhas interligadas que formam o condomínio Sunset Island, na baía de Biscayne, em Miami, estão entre os endereços mais exclusivos da cidade.
O preço dos imóveis varia de R$ 6 milhões, para uma casa de quatro quartos e sem vista para o mar (modesta para os padrões locais), a R$ 30 milhões, para uma luxuosa residência, na orla, com sete dormitórios.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Caso Teixeira rende à “FOLHA” o maior prêmio do jornalismo brasileiro


Reportagens revelaram que então presidente da CBF recebera dinheiro ligado a jogo da seleção brasileira

Em quatro meses de apuração, jornalistas mostram atuação e queda do dirigente na confederação de futebol.

A Folha venceu o Grande Prêmio Esso de Jornalismo, a principal premiação do gênero no país.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

ROMÁRIO: A FARRA TÁ SÓ COMEÇANDO


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Parte da entrevista do ROMÁRIO ao jornalista Cosme Rimoli da TV Record
Você foi recebido com preconceito em Brasília?
Olha, vou ser claro para quem ler entender como as coisas são. Há o burro, aquele que não entende o que acontece ao redor. E há o ignorante, que não teve tempo de aprender. Não houve preconceito comigo porque não sou nem uma coisa nem outra. Mesmo tendo a rotina de um grande jogador que fui, nunca deixei de me informar, estudar. Vim de uma família muito humilde. Nasci na favela. Meu pai, que está no céu, e minha mãe ralaram para me dar além de comida, educação. Consciência das coisas... Não só joguei futebol. Frequentei dois anos de faculdade de Educação Física. E dois de moda. Sim, moda. Sempre gostei de roupa, de me vestir bem. Queria entender como as roupas eram feitas. Mas isso é o de menos. O que importa é que esta sede de conhecimento me deu preparo para ser uma pessoa consciente... Preparada para a vida. E insisto em uma tese em Brasília, com os outros deputados. O Brasil só vai deixar de ser um país tão atrasado quando a educação for valorizada. O professor é uma das classes que menos ganha e é a mais importante. O Brasil cria gerações de pessoas ignorantes porque não valoriza a Educação. E seus professores. Não há interesse de que a população brasileira deixe de ser ignorante. Há quem se beneficie disso. As pessoas que comandam o País precisam passar a enxergar isso. A Saúde é importante? Lógico que é. Mas a Educação de um povo é muito mais!
Essa ignorância ajuda a corrupção? Por exemplo, que legado deixou o Pan do Rio?Você não tenha dúvidas de que a ignorância é parceira da corrupção. Os gastos previstos para o Pan do Rio eram de, no máximo, R$ 400 milhões. Foram gastos R$ 3,5 bilhões. Vou dar um testemunho que nunca dei. Comprei alguns apartamentos na Vila Panamericana do Rio como investimento. A melhor coisa que fiz foi vender esses apartamentos rapidamente. Sabe por quê? A Vila do Pan foi construída em cima de um pântano. Está afundando. O Velódromo caríssimo está abandonado. Assim como o Complexo Aquático Maria Lenk... É um escândalo! Uma vergonha! Todos fingem não enxergar. Alguém ganhou muito dinheiro com o Panamericano do Rio. A ignorância da população é que deixa essa gente safada sossegada. Sabe que ninguém vai cobrar nada das autoridades. A população não sabe da força que tem. Por isso que defendo os professores. Não temos base cultural nem para entender o que acontece ao nosso lado. E muito menos para perceber a força que temos. Para que gente poderosa vai querer a população consciente? O Pan do Rio custou quatro vezes mais do que este do México. Não deixou legado algum e ninguém abre a boca para reclamar.
Se o Pan foi assim, a Copa do Mundo no Brasil será uma festa para os corruptos ...
Vou te dar um dado assustador. A presidente Dilma havia afirmado quando assumiu que a Copa custaria R$ 42 bilhões. Já está em R$ 72 bilhões. E ninguém sabe onde os gastos vão parar. Ningúem. Com exceção de São Paulo, Rio, Minas, Rio Grande do Sul e olhe lá...Pernambuco... Todas as outras sete arenas não terão o uso constante. E não havia nem a necessidade de serem construídas. Eu vi onze das doze... Estive em onze sedes da Copa e posso afirmar sem medo. Tem muita coisa errada. E de propósito para beneficiar poucas pessoas. Por que o Brasil teve de fazer 12 sedes e não oito como sempre acontecia nos outros países? Basta pensar. Quem se beneficia com tantas arenas construídas que servirão apenas para três jogos da Copa? É revoltante. Não há a mínima coerência na organização da Copa no Brasil.
São Paulo acaba de ser confirmado como a sede da abertura da Copa. Você concorda?
Como posso concordar? Colocaram lá três tijolinhos em Itaquera e pronto... E a sede da abertura é lá. Quem pode garantir que o estádio ficará pronto a tempo? Não é por ser São Paulo, mas eu não concordaria com essa situação em lugar nenhum do País. Quando as pessoas poderosas querem é assim que funcionam as coisas no Brasil. No Maracanã também vão gastar uma fortuna, mais de um bilhão. E ninguém tem certeza dos gastos. Nem terá. Prometem, falam, garantem mas não há transparência. Minha luta é para que as obras não fiquem atrasadas de propósito. E depois aceleradas com gastos que ninguém controla.
O que você acha de um estádio de mais de R$ 1 bilhão construído com recursos públicos e entregue para um clube particular?Você está falando do estádio do Corinthians, não é?!  Não vou concordar nunca. Os incentivos públicos para um estádio particular são imorais. Seja de que clube for. De que cidade for. Não há meio de uma população consciente aceitar. Não deveria haver conversa de politico que convencesse a todos a aceitar. Por isso repito que falta compreensão à população do que está acontecendo no Brasil para a Copa.
A Fifa vai fazer o que quer com o Brasil?Infelizmente, tudo indica que sim. Vai lucrar de R$ 3 a R$ 4 bilhões e não vai colocar um tostão no Brasil. É revoltante. Deveria dar apenas 10% para ajudar na Educação. Iria fazer um bem absurdo ao Brasil. Mas cadê coragem de cobrar alguma coisa da Fifa. Ela vai colocar o preço mais baixo dos ingressos da Copa a R$ 240,00. Só porque estamos brigando pela manutenção da meia entrada. É uma palhaçada! As classes C, D e E não vão ver a Copa no estádio. O Mundial é para a elite. Não é para o brasileiro comum assistir.
Ricardo Teixeira tem condições de comandar o processo do Mundial de 2014?
Não tem de saúde. Eu falei há mais de quatro meses que ele não suportaria a pressão Ser presidente da CBF e do Comitê Organizador Local é demais para qualquer um. Ainda mais com a idade que ele tem. Não deu outra. Caiu no hospital. E ainda diz que vai levar esse processo até o final. Eu acho um absurdo.
Muito além da saúde de Ricardo Teixeira. Você acha que pelas várias denúncias, investigações da Polícia Federal... Ele tem condições morais de comandar a organização Copa no Brasil?
Não! O Ricardo Teixeira não tem condições morais de organizar a Copa! Não até provar que é inocente. Que não tem cabimento nenhuma das denúncias. Até lá, não tem condições morais de estar no comando de todo o processo. Muito menos do futebol brasileiro ...

Texto sugerido e com comentários de André Mendes Capraro

Romário, sem dúvida, foi uma grata revelação na política brasileira. Lembro-me que já na primeira semana letiva na Câmara dos Deputados foi flagrado jogando futevôlei nas praias cariocas. E foi aquela repercussão... Um jornalista paulista chegou a comentar: - Estranharia se o encontrasse em Brasília!

Pois bem, além de ser um dos deputados mais presentes nas plenárias, Romário superou esteriótipos e preconceitos e hoje é uma voz ativa e ponderada no combate aos descalabros cometidos pelos dirigentes e políticos que rodeiam o esporte brasileiro.

Creio que alguns dirigentes, empreiteiros e políticos, ao lutar pela realização da Copa do Mundo de futebol e das Olimpíadas, sabendo da emotividade do brasileiro e da comoção geral, nunca imaginariam que se existiria uma oposição tão organizada, informada e engajada.

Logo, implementaram o plano B: atrasar todas as obras até que emergencialmente o dinheiro corra livremente sem o rigor da fiscalização. E nós, contribuintes, devemos seguir o exemplo de Romário: olho neles, pois todo cuidado é pouco!
 

domingo, 11 de dezembro de 2011

Crônica da Semana


Futebol, qual paixão?
Luiz Carlos Ribeiro

As últimas semanas aconteceram fatos que nos levam a refletir – sempre e sempre! – sobre o forte envolvimento emocional que o futebol exerce sobre todos nós.

Podemos começar pelas recentes investidas de marketing do desgastado Teixeira e de sua/nossa entidade, a CBF, lembrando-nos da nossa paixão pelo futebol. A conversa começou com a indicação pela Presidente Dilma, em julho último, de Pelé como embaixador honorário da Copa de 2014. Explicitamente foi uma forma da governante se distanciar da imagem de Ricardo Teixeira. Se associar o governo à imagem da seleção tem sido uma prática comum no Brasil (desde Vargas nos anos 1930/40, os militares nos anos 70, até Lula), explicar que CBF/Teixeira não é Neymar nem seleção brasileira, certamente não será tarefa fácil.

Até por que os políticos brasileiros e base política de Dilma – de Brasília e das capitais envolvidas na Copa – estão comprometidos não com futebol-arte de Neymar, mas com as oportunidades (que alguns mais puristas preferem chamar de legado) e investimentos que supostamente a realização da Copa irá proporcionar, em especial para os seus interesses políticos (ou das empresas que patrocinam suas candidaturas).
Foram diversos os momentos em que as divergências entre governo federal e Teixeira se explicitaram nos últimos anos. Um deles pode ter sido com a infeliz entrevista concedida por Teixeira ao jornal cultural Piauí, em junho deste ano. Nesta entrevista, o dirigente tornou pública a sua prepotência, desdenhando da imprensa e deixando claro que eventos esportivos – desde o campeonato brasileiro a Copa de 14 – são organizados conforme a sua vontade. Chegou a afirmar que as denúncias contra ele por alguns jornais e TV não tem repercussão, e que só se preocuparia quando as denúncias chegassem ao Jornal Nacional. Manifestação que repercutiu como uma declaração pública de que era um protegido da Globo.

Nessa entrevista, Teixeira dirigiu sua crítica em especial à reportagem que a Record levara ao ar com um dossiê sobre abuso de poder e malversação de recursos via CBF. Na verdade, a serie da Record só foi produzida após a derrota desta para a Rede Globo, na disputa pela transmissão dos jogos do brasileirão de 2012/13. O mesmo imbróglio que resultou no fim político do Clube dos 13. As denúncias da série televisa foram baseadas no livro do jornalista inglês Andrew Jennings e no relatório da CPI CBF-Nike, publicado em livro 2001 pelos então deputados Silvio Torres e Aldo Rebelo (atual Ministro dos Esportes).

Quase toda discussão na imprensa, nesse momento, afirmava que até 2014 o Brasil estará sendo governado em torno do poder político de Ricardo Teixeira. O governo brasileiro – leia-se Presidente Dilma – será mero coadjuvante dos interesses da FIFA e sua filiada, a CBF.

O problema é que – assim como vem acontecendo com vários ministros – ao se tornar figura central da política brasileira, Ricardo Teixeira perdeu o controle sobre as disputas em torno do evento de 2014.
Desde governadores, prefeitos, deputados, empresários, dirigentes de clubes, enfim todos os que de algum modo vêm perspectivas de ter ganhos com a realização da Copa passaram a pressionar o comandante da CBF. De tal maneira que a velha estratégia de acomodar os amigos começou a se tornar inviável. Em síntese, os descontentes, os que estavam ficando de fora do “legado” da Copa, tornaram-se inimigos de Teixeira e passaram a escancarar suas manobras.

E, o sinal temido por Teixeira, não demorou a acontecer. Em agosto desse ano o Jornal Nacional apresentou reportagem de 3 minutos destacando as irregularidades ocorridas no amistoso entre Brasil e Portugal, em 2008.
Segundo a denúncia, a empresa Ailanto Marketing, criada em cima da hora por Teixeira para promover o evento, sequer tinha telefone de contato e que os nove milhões de reais repassados pelo governo de Brasília eram irregulares. Veja a reportagem em: http://www.youtube.com/watch?v=byVLRy-fvaw Alguns meses após a denúncia o governador distrital, José Roberto Arruda, teve seu mandato cassado.

A partir daí foram diversas os manifestações da Rede Globo, expondo de forma clara as denúncias contra Teixeira. Ver mais em: http://www.youtube.com/watch?v=PvwubNjAvjE&feature=related
Nesse momento Dilma não mais recebia Teixeira e se recusava a sentar ao seu lado em ventos públicos. Aliás, o próprio Teixeira passou a evitar aparecer em público. O seu desgaste acelerou a demissão, por acusação de corrupção, de um seu aliado, o Ministro dos Esportes Orlando Silva.
Além do front nacional, Teixeira, pelo mesmo motivo de não conseguir conciliar amigos e inimigos, viu seu sonho de candidatar-se à presidência da FIFA em 2015 virar pesadelo. Na tentativa de enfraquecer Blatter, Teixeira apoiou o representante do Catar, Mohamed Bin Hamman. Não por acaso, estoura denúncias contra Teixeira e Hamman envolvendo negociatas que ultrapassavam a casa dos US$ 150 milhões. Como resultado Teixeira conquistou um adversário de peso, Joseph Blatter, presidente reeleito da FIFA.
De volta ao front nacional, de posse desse material o Ministério Público Federal pediu a abertura de inquérito policial contra Ricardo Teixeira por lavagem de dinheiro.

Nesse momento, enquanto o Deputado Federal Romário sugere ao governo um interventor na CBF, Teixeira dá ainda sinais de vida e nomeia Ronaldo Fenômeno como membro do Comitê Organizador da Copa de 2014. Triste fim para as imagens de Pelé e Ronaldo. Quando de sua apresentação como membro do Comitê, Ronaldo lê de forma reticente quais serão as suas tarefas, e afirma que assumia na perspectiva salvar a imagem da Copa do Mundo de Futebol no Brasil. Afirma que está pensando no povo e que perspectiva é a de “aproximar pessoas” acabar com as desconfianças, mesmo sabendo que pode estar “jogando pela janela” toda a história de sua vida. E conclui com uma frase lapidar: “copa do mundo não se faz com hospital, se faz com estádios “. (ver depoimento em: http://sportv.globo.com/videos/copa-2014/v/ronaldo-membro-do-comite-da-copa-2014fala-sobre-as-tarefas-do-novo-cargo/1715796/)

Somada a essa cartada de marketing, a CBF lançou a cerca de duas semanas um vídeo sobre as realizações da entidade – leia-se Ricardo Teixeira – em que, ao final do vídeo lê-se abaixo do emblema da CBF a seguinte frase: “CBF cuidando da nossa paixão.”

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Blatter e Teixeira protagonizam nova disputa bélica

Há clima bélico, de novo, na relação entre os presidentes da CBF, Ricardo Teixeira, e da Fifa, Joseph Blatter. A entrevista do suíço dizendo que membros do Comitê Executivo da entidade poderiam sair por acusações do caso ISL foi vista como ataque pelo brasileiro, sob quem há suspeita no episódio. Para o brasileiro, o suíço tem motivação eleitoral e quer afastá-lo para beneficiar o aliado Michel Platini na disputa pela Fifa em 2015.


O temor do cartola brasileiro é de que o presidente da Fifa tente fazer uma limpa no Comitê Executivo, retirando todos os seus inimigos atualmente. Além de Teixeira, estão ameaçados pelo caso ISL pelo menos o presidente da Conmebol, Nicolas Leóz (paraguaio), e o presidente da Confederação Africana de Futebol, Issa Hayatou (camaronês), além do ex-presidente da Fifa, João Havelange. Todos são apontados como receptores de propina da ex-parceira da entidade que dirige o futebol mundial.



Ricardo Teixeira e Joseph Blatter em seminário em Copacabana, em julho deste ano
Ricardo Teixeira e Joseph Blatter em seminário em Copacabana, em julho deste ano
Em dezembro, em reunião no Japão, Blatter promete mostrar documentos do processo de falência da ISL, no qual dirigentes do Comitê Executivo confessam ter recebido o dinheiro. Até hoje, essa ação é mantida em segredo de Justiça. Mas os cartolas envolvidos ainda podem manobrar no judiciário suíço para impedir a divulgação de seu nome.

Em outubro, quando o suíço se comprometeu a abrir o processo, os outros membros não se manifestaram em reunião do comitê. Não tinha ficado claro como estava a relação entre Teixeira e o presidente desde aquele episódio porque não houve encontros públicos entre eles. Em novembro, no Qatar, Teixeira se encontrou com o opositor do presidente da Fifa Mohammed bin Hamman, expulso da entidade por acusação de corrupção na eleição.

O novo litígio entre Teixeira e Blatter tem potencial para afetar a Copa. A Fifa subiu o tom contra o Brasil no início do ano quando os dois se desentenderam na última eleição da entidade, em junho. Na ocasião, o brasileiro flertou com Bin Hammam após o presidente da Fifa declarar apoio a Platini para 2015. Mas não é provável que ocorram declarações públicas de inimizada, com a guerra restrita aos bastidores.

Silvia Izquierdo - 29.jul.2011/Associated Press
Ricardo Teixeira (esq.) ao lado de Blatter durante evento no Rio de Janeiro, em julho passado
Ricardo Teixeira (esq.) ao lado de Blatter durante evento no Rio de Janeiro, em julho passado

fonte:http://www1.folha.uol.com.br/esporte/1009997-blatter-e-teixeira-protagonizam-nova-disputa-belica.shtml

Texto sugerido e com comentários de Jackson Mosko

Apesar de estar novamente envolvido num escândalo de recebimento de propina, o presidente da CBF, Sr. Ricardo Teixeira, ‘sofre’ uma retaliação política do presidente da FIFA Joseph Blatter, que ameaça a falar os nomes envolvidos no escândalo envolvendo a entidade e sua ex-parceira ISL, onde o nome do presidente da CBF estaria entre os envolvidos. Isto, porém poderá afetar a Copa 2014? Como até agora estamos vendo
uma série de exigências absurdas por parte da FIFA e o governo brasileiro questionando mesmo que muito timidamente, acredito que sim poderemos ser afetados, mas vamos aguardar um novo capítulo.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Aldo Rebelo: 'A Fifa não é a Otan do futebol'

Em entrevista exclusiva ao LNET!, Ministro do Esporte fala do futuro da pasta, que está em suas mãos e da relação com Teixeira


  Aldo Rebelo assumiu o Ministério dos Esportes em um momento conturbado (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr)
 
Aldo Rebelo chega ao Ministério do Esporte para apagar a má imagem gerada pelo escândalo que derrubou seu antecessor, Orlando Silva. Sua missão é mudar os rumos do ministério, na gestão do dinheiro público, na definição de prioridades e na relação com cartolas.

Na entrevista, Rebelo mostra que a cautela e a discrição devem ser marcas de sua gestão. Defende a criação de uma política nacional de esporte, mas prevê até dois anos para ser aprovada. Evitou criticar que quer que fosse e colocou-se como um homem de governo, que deixa de lado suas opiniões pessoais.

No dia da entrevista, dia 10 de novembro, Rebelo ainda não havia feito troca nos principais cargos do ministério. Nesta semana, após nomear como auxiliares diretos pessoas com experiência na administração e de fora do PC do B, a presidente Dilma Rousseff transferiu a Autoridade Pública Olímpica, para sua pasta.

LANCE: O que já dá tirar desta primeira semana de trabalho?
AR: Estou como um matuto atravessando o Rio. Colocando um pé de cada vez para ver onde está raso, fundo ou tem pedra. Preciso examinar os trabalhos realizados, verificar as mudanças necessárias e o que poderá seguir.

L: Como serão as mudanças?
AR: Vou buscar pessoas com capacidade executiva, não necessariamente na sua área. Os americanos, na Segunda Guerra, quando precisaram de um general para dar conta da logística e distribuir comida a todos, chamaram um dono de supermercado e deram as quatro estrelas de general para ele cuidar disso. Na próxima semana já poderei anunciar algumas trocas.

L: Com os últimos ministros, quase todos os secretários eram militantes do PCdoB. Isso vai continuar?
AR: Não vejo assim, mas o meu critério não é uma filiação com o PCdoB. Entrarão de acordo com a sua capacidade e experiência.

L: A presidente Dilma anunciou uma auditoria nos convênios fechados com ONGs pelo Programa Segundo Tempo? Como está caminhando esse processo?
AR: O Segundo Tempo é um programa muito importante, que visa estender a atividade esportiva a quem não tem acesso a ela. Como o Ministério não tinha o instrumento para fornecer a atividade esportiva, como a saúde tem o hospital, atraiu uma série de ONGs. A imensa maioria é bem-intencionada. Mas um ministério não pode contar com esse tipo de ação. Em relação aos convênios existentes, onde não houve desembolso, mandei suspender. Foi algo em torno de 40. Os outros estão sob verificação.

L: Como você pretende tratar da questão da Timemania? Quanto já foi arrecadado e quanto foi abatido da dívida dos clubes?
AR: Minha opinião não conta. Vou tratar de acordo com a exigência legal. Não há profissionalização à altura da necessidade. É preciso encontrar
uma solução que proteja o interesse público e ajude a dar uma solução para os clubes.

L: Como está a regulamentação da Lei Pelé? E como será a responsabilização de dirigentes, já que falou que falta profissionalismo?
AR: Não me debrucei sobre ela. E, de certa forma, a lei já criou um certo tipo de responsabilidade.

L: Mas isso foi tirado agora neste último texto.
AR: Não é um problema legal. É preciso criar uma responsabilização com propostas que apontem caminhos para proteger os clubes. Precisamos
conversar com as entidades para que eles mudam a gestão.


L: O senhor é a favor da limitação de mandatos de dirigentes?

Se tem limitação para presidente da República, governadores e prefeitos, por que não para dirigentes? O esporte foi liberado de autarquias, mas sempre desconfiei disso, em uma sociedade tão desajustada. O Estado precisa atribuir a essas entidades um nível de responsabilidade, como existe até para a gestão das propriedades privadas.

L: Você já foi grande crítico de Ricardo Teixeira, depois houve uma aproximação. Como está hoje? E como será como ministro?

Aproximação...?

L: Sim. Com o Ricardo Teixeira.

Ah, é? Não sabia.

L: O senhor é apontado como muito amigo dele e já disse que ele tinha mudado muito.

Eu presidi a CPI e me encontrei com o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, naquela ocasião. Depois acho que encontrei mais uma vez, numa festa do Brasileiro há alguns anos. Voltei a encontrá-lo agora no Ministério. Não tenho amizade e nem inimizade.

L: Parlamentares estão em busca de documentos que possam esclarecer o suposto pagamento de propina da ISL a Ricardo Teixeira dez anos atrás. Qual é a sua opinião, como ministro?

As atribuições da Câmara e do Senado não podem ser discutidas pelo Poder Executivo. O legislativo tem como atribuição fiscalizar. Aqui vamos procurar tratar institucionalmente essa questão.

L: Seria bom para o governo participar do COL?

Acho que o governo poderia ser criticado por isso. As circunstâncias de um evento privado levaram a isso. Não posso opinar.

L: Há alguns anos o senhor recebeu uma homenagem do Vasco das mãos de Eurico Miranda. O senhor continua amigo dele?
AR: Recebi um título dado por unanimidade por todos os conselheiros do clube, que muito me honra, de sócio honorário do Vasco. Foi dado pelo Conselho na ocasião em que o dirigente era o Eurico. Também recebi do Flamengo.

L: Na gestão do Afonso Della Monica o senhor tentou um patrocínio para o Palmeiras, de uma mineradora chinesa...
AR: Eu era até agora presidente do grupo parlamentar Brasil-China. Sou amigo da China e cogitei a hipótese de ajudar que alguma instituição chinesa pudesse patrocinar o Palmeiras. Fiz isso como torcedor, mas nada foi acertado.

L: Como ministro o senhor pretende se aproximar com o esporte olímpico chinês?
AR: Acho que o Brasil tem que ter duas referências: cooperar com quem precisa da nossa ajuda, como Bolívia e Paraguai e países africanos, e pedir ajuda daqueles que são mais bem-sucedidos, como os EUA e Cuba, com modelos diferentes. A China é uma experiência recente.

L: Por que estádios do Brasil são tão caros?
AR: Estive olhando os preços. No caso da Eurocopa de Portugal, da Copa da Alemanha, os preços foram menores do que aqui. Não sei se isso foi resultado do tempo previsto para as construções.

L: Muito se ouve dirigentes e muito pouco os atletas. Isso vai mudar?
AR: O ministro é do Partido Comunista; o Ministério, não.O Ministério é da população e do país. Quem está aqui deve ter isso claro. Temos de levar em conta sempre as opiniões de federações, associações, tudo. Mas atletas e técnicos também devem ser considerados.

L: Quanto à aplicação das leis, o Estatuto do Torcedor era um grande avanço, mas metade dele não sai do papel...
AR: Participei de todos os debates. De todas as contradições, creio que o esforço dessa lei foi muito bem. As conquistas não podem ser menosprezadas. Tirando os camarotes e os dirigentes, o resto dos torcedores era mal tratado.

L: O secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, anunciou que 10% dos ingressos serão vendidos a US$ 25 (R$ 44), para os brasileiros. Isso resolve a meia-entrada?
AR: Não sei se resolve. A Copa vai ocorrer num país com muita desigualdade social. Não podemos permitir uma festa tão grande sem que uma parcela comprovadamente pobre, mais do que a meia-entrada, que poderá atingir uma classe média, participe.

L: Muitos deputados e senadores falam que as exigências da Fifa são exageradas. São mesmo?
AR: Não. Tenho de procurar cumprir, de acordo com aquilo que foi firmado. O que há são interpretações diferentes. Vou ver os compromissos fechados por Alemanha e outros países. Não podemos é achar que a Fifa é uma espécie de Otan (organização militar entre EUA e parte da Europa) que está querendo invadir o Brasil. E nem ficar com o sentimento como se fossemos uma terra francesa (sic) no nosso país. Vamos olhar e, se a Fifa tiver razão, vai permanecer.

L: Na prática...
AR: Isso já está na Lei Geral da Copa. O que o governo brasileiro pensa e pode está ali. Na legislação anterior, que foi do incentivo fiscal, também. Agora o Congresso vai mediar e resolver.

L: Como está a montagem do Plano Nacional de Esporte?
AR: A minha ideia é a de transformar o Plano Nacional do Esporte numa política permanente. Há a necessidade de se preparar um marco legislativo legal permanente para o país.

L: Qual é o prazo?
AR: Não estou pensando nisso agora. Tenho de me preocupar com a ideia. Mas talvez um, dois anos.

L: Por fim, como se dá jeito no seu Palmeiras?
AR: O Palmeiras tem um passado de glórias e um futuro promissor. Exige muita paciência e muita providência. HAHAHAHA!

Rebelo presidiu CPI da CBF/Nike
A principal contribuição de Aldo Rebelo ao esporte, antes de ser nomeado ministro, foi cerca de uma década atrás, quando presidiu a CPI da CBF/Nike, que investigou o contrato entre a entidade e a empresa.

Enfrentando um lobby montado por Ricardo Teixeira em Brasília, que cooptou até a maioria dos deputados membros da CPI, o relatório não só apontava irregularidades como propunha mudanças na legislação para garantir maior transparência na administração do esporte.

Os deputados da bancada da bola, entretanto, fizeram um relatório alternativo, exatamente oposto. Percebendo que não tinha a maioria da comissão, Rebelo encerrou os trabalhos da CPI sem votar nenhum relatório. Depois tentou publicar o seu relatório em livro, mas foi impedido pela Justiça.

Rebelo mudou postura com Ricardo Teixeira
Uma das grandes dúvidas da gestão de Aldo Rebelo à frente do Ministério do Esporte será seu relacionamento com o presidente da CBF e do comitê organizador da Copa-14, Ricardo Teixeira.

Em 2001 , durante a CPI da CBF/Nike, Rebelo criticou duramente Teixeira pela maneira como conduzia os negócios da CBF e, com o colega relator Silvio Torres, produziu um duro relatório em que denunciava Teixeira e outros cartolas por várias supostas irregularidades.

Naquela época, o país era governado por Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e o PC do B de Rebelo estava na oposição.

Quando o PT assumiu o governo em 2003, e foi se aproximando dos cartolas, Rebelo assumiu a mesma posição. Passou a trabalhar em projetos de interesse dos clubes, como a Timemania.Aproximou- se em especial de Teixeira.

Quando questionado sobre o assunto, declarou que, depois da CPI, Teixeira havia evoluído e mudado sua atuação.

Ministro, diz que nunca houve uma aproximação entre ambos. Mas imagens falam por si. Na cerimônia de posse do ministro, Teixeira estava na primeira fila de cumprimentos e deu um abraço caloroso em Rebelo, sinal de como via a nomeação.

fonte: http://www.lancenet.com.br/copa-do-mundo/Aldo-Rebelo-Fifa-Otan-futebol_0_594540564.html

Texto sugerido e com comentários de Riqueldi Lise
Após a queda do ministro dos esportes Orlando Silva, ocasionada pela denuncia de um esquema de corrupção dentro do próprio ministério, assume o cargo o deputado Aldo Rebelo (PCB). Ao presidir a CPI da CBF/Nike entre os anos de 2000 e 2001, Rebelo relatou uma série de irregularidades no comando da CBF, e fez de Ricardo Teixeira seu inimigo.
Os tempos agora são outros, notícias dão conta de uma reaproximação entre Rebelo e Teixeira. 

Recentemente foi divulgado que Rebelo recebeu doações para financiamento da campanha para deputado federal em 2010 de duas empresas que patrocinam a CBF, Ambev e Banco Itaú. É curioso lembrar que como presidente da CPI da CBF/Nike o atual ministro examinava com absoluta desconfiança as doações
da CBF e de seus patrocinadores para candidatos. Agora, no comando do ministério, Aldo estará envolvido em ao menos uma questão crucial para um dos patrocinadores da CBF, da Fifa e de sua campanha: a venda de cerveja nos estádios. A InBev é dona da Budweiser, cerveja oficial da Copa. Porém, o deputado ainda insiste em negar uma aproximação com o principal dirigente da CBF.

Resta-nos questionar se alguma coisa realmente mudou, pois parece que fora a mudança dos nomes a situação continua, pelo menos, muito parecida.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Ricardo Teixeira parabeniza Aldo Rebelo por assumir o Esporte

Novo ministro é um dos interlocutores do presidente da CBF no Congresso
Aldo Rebelo assumiu o Ministério do Esporte

O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, parabenizou nesta quinta o ministro Aldo Rebelo pela sua escolha para ser o ministro do Esporte. Uma nota oficial foi divulgada no site da entidade.

De acordo com o comunicado, a CBF se colocou à disposição do ministro, "dando-lhe a certeza de que terá na entidade uma importante parceira na sua grande empreitada à frente do Ministério do Esporte".

Em entrevista coletiva nesta tarde, Rebelo disse não acreditar em ressentimento por ter presidido uma CPI que investigou a CBF entre os anos de 2000 e 2001. Nos últimos anos o agora ministro aproximou-se de Ricardo Teixeira e é um dos interlocutores do cartola no Congresso.

Sobre as doações recebidas de patrocinadores da entidade, demonstrou naturalidade. "Não tem problema nenhum um banco ou uma empresa dessa anunciar em rádio, TV e jornal, ser parceiro da CBF e da Fifa e, se houve qualquer contribuição, pode ser que tenha, não atingiu e não atingirá de qualquer forma a minha independência".

Ele afirmou ainda ser favorável a conceder o benefício da meia-entrada para estudantes durante a Copa do Mundo, mas ressaltou que vai defender a aprovação do projeto da Lei Geral da Copa na Câmara na forma como foi enviado pelo Executivo. O governo federal optou por não tratar do tema e deixar a Fifa negociar diretamente com Estados e municípios. Apenas o direito à meia-entrada para idosos estaria garantido por ser lei federal.

Rebelo disse ter almoçado na residência de seu antecessor, Orlando Silva, para se inteirar dos assuntos do Ministério. Afirmou que não houve qualquer recomendação da presidente Dilma sobre a relação com a Fifa. "Não houve recomendação. Creio que o relacionamento deve ser de praxe. A Fifa tem uma responsabilidade, o governo tem a sua e trabalharão naturalmente levando em conta a cooperação necessária e a independência".

Biografia

Nascido em Alagoas, Aldo está no quinto mandato de deputado federal. Ele foi eleito pelo PC do B de São Paulo. Jornalista e escritor, iniciou a atuação política como líder do movimento estudantil e chegou a presidir a União Nacional dos Estudantes (UNE). Ele também é um dos fundadores da União da Juventude Socialista (UJS).

Sua militância o levou a se eleger vereador em São Paulo, primeiro cargo no Legislativo. Durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2008-2010), Aldo foi presidente da Câmara dos Deputados, ministro de Relações Institucionais e líder do governo na Câmara.

No primeiro semestre deste ano, Aldo Rebelo foi relator do projeto do novo Código Florestal, matéria que dividiu a base governista e chegou a ser aprovada na Câmara dos Deputados. A proposta agora é discutida no Senado.

Aldo é conhecido por sua postura nacionalista. Um dos projetos apresentados por ele é o que prevê a redução de estrangeirismos na língua portuguesa.

Ele assume a vaga de Orlando Silva que deixou o Ministério do Esporte depois de o STF instaurar inquérito para apurar denúncias de desvio de dinheiro em ações da pasta. Há duas semanas, o policial militar João Dias acusou o ex-ministro de participar de um esquema de desvio de recursos públicos do programa Segundo Tempo. A denúncia foi publicada pela revista Veja. Desde então, Orlando Silva vem negando participação no esquema, tendo prestado informações ao Congresso Nacional. Ele também pediu ao Ministério Público que o investigasse para garantir sua inocência.

O ex-ocupante da pasta e atual governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, também é acusado de desviar dinheiro do programa. A ministra Cármen Lúcia determinou que o inquérito que já investiga Agnelo Queiroz no Superior Tribunal de Justiça (STJ) fosse levado ao STF para que ela avaliasse se o processo deve correr em conjunto com o de Orlando Silva. De acordo com o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, há uma “relação intensa” entre os casos. Com a saída de Orlando Silva do ministério, o inquérito passa a ser conduzido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Fonte:http://www.correiodopovo.com.br/Noticias/?Noticia=353247

Sugestão do texto e comentários de André Mendes Capraro

Quem leu o livro CBF/Nike sabe o quanto Aldo Rebelo foi contundente ao falar do caráter de Ricardo Teixeira. Muito estranho, então, os depoimentos do nosso ministro do esporte ao falar nos últimos dias do ainda presidente da CBF (a CPI ocorreu em 2000/2001). Pelo jeito a proximidade da Copa do Mundo do Brasil e a consequente enxurrada de dinheiro em um ministério considerado secundário serviram para aproximar os dois algozes. Em retribuição aos comentários quase afetuosos de Rebelo em relação a Teixeira nas primeiras coletivas, a CBF chegou a lançar uma nota no site oficial parabenizando-o pela escolha, também “dando-lhe a certeza de que terá na entidade uma importante parceira na sua grande empreitada à frente do Ministério do Esporte”. Ora, para compreender as relações de poder que ocorrem na política brasileira é necessário extrapolar os limites do racional e, sobretudo, do ético. Basta lembrar que Teixeira processou Aldo Rebelo (e Silvio Torres, o outro autor do livro) conseguindo na justiça retirar o livro das prateleiras das livrarias brasileiras.

Por sinal, é louvável a conduta da presidente Dilma Rousseff em relação à corrupção no governo. Para aqueles que acreditavam que Dilma seria apenas um reflexo de seu antecessor, uma surpresa muito agradável.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Fifa promete liberar documentos do escândalo da ISL

Segundo imprensa inglesa, dossiê pode comprometer Ricardo Teixeira, presidente da CBF e do Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo de 2014
21/10/2011 | 13:28 | Agência Estado
O presidente da Fifa, Joseph Blatter, prometeu nesta sexta-feira que vai liberar os documentos do escândalo da ISL em dezembro. O dossiê, segundo a imprensa inglesa, pode comprometer Ricardo Teixeira, presidente da CBF e do Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo de 2014.

Blatter explicou que o caso será reaberto e exposto ao público, em Tóquio, após análise de uma comissão independente. A decisão, anunciada em meio à reunião anual do Comitê Executivo da Fifa, em Zurique, faz parte da reforma que o presidente pretende realizar durante seu novo mandato, depois das seguidas denúncias de corrupção envolvendo o nome da entidade nos últimos meses.

"Este é um assunto que tem sido levantado pelas federações e pelos membros da Fifa. Então, o Comitê Executivo decidiu reabrir o caso.
Vamos entregá-lo a uma organização independente, que vai se aprofundar na análise dos arquivos e apresentá-los a nós. Isto é tudo o que posso falar sobre este famoso caso da ISL", declarou Blatter.

Agência de marketing que anunciou falência em 2001, a ISL se envolveu no pagamento de mais de US$ 100 milhões em propinas à Fifa, por meio da criação de empresas fantasmas por parte de membros do Comitê Executivo da entidade, entre agosto de 1992 e novembro de 1997. Em troca, a ISL obtinha lucrativos contratos de patrocínio e de direitos de televisão com a Fifa.

A denúncia foi confirmada por um tribunal suíço em 2010. A Justiça local determinou a devolução de parte do dinheiro e encerrou o caso sem citar o nome dos membros da Fifa envolvidos no escândalo. Os nomes dos acusados, contudo, foram revelados pela BBC e pelo jornal suíço Tages-Anzeiger em novembro do ano passado.

Entre os citados está Ricardo Teixeira, que teria recebido pagamentos da ISL em uma conta secreta em Liechteinstein no valor de US$ 9,5 milhões. As remessas seriam feitas com valores de US$ 250 mil cada, em 21 parcelas em uma empresa fantasma registrada num paraíso fiscal.

Em um documento obtido pela BBC, 175 pagamentos de propinas são descritos pela ISL aos membros da Fifa. Parte delas iriam para o que a emissora chamou de "o homem encarregado da próxima Copa do Mundo, no Brasil em 2014. Ele é Ricardo Teixeira".
A empresa que teria recebido as propinas, citada pela BBC, é a Sanud, com base no principado de Liechtenstein e um dos principais paraísos fiscais do mundo, a apenas alguns quilômetros da sede da Fifa em Zurique. A emissora descobriu que se trata da mesma companhia que a CPI do Futebol no Brasil já havia indicado como tendo participação de Ricardo Teixeira.

Também foram citados pela BBC o paraguaio Nicolas Leoz, presidente da Conmebol, e Issa Hayatou, presidente da Confederação de Futebol da África (CAF). Membros do Comitê Executivo da Fifa, os três acusados negaram envolvimento com o caso.

Fonte:http://www.gazetadopovo.com.br/copa2014/politica/conteudo.phtml?tl=1&id=1183364&tit=Fifa-promete-liberar-documentos-do-escandalo-da-ISL

Texto sugerido e com comentários de Jackson Mosko.

Novamente o Sr. Ricardo Teixeira envolvido em escândalos, na verdade este é mais um ‘antigo’ escândalo de recebimento de propina onde a empresa envolvida a ISL teve inúmeros contratos milionários no futebol mundial e brasileiro. A administração do atual presidente da CBF sempre foi nebulosa nas questões de contratos com empresas privadas, este fato da ISL me faz lembrar o contrato com a Nike e anos depois com a criação de uma CPI e também gerou um livro chamado: “CBF Nike” de Aldo Rebelo e Silvio Torres, neste livro são comentados inúmeros casos nebulosos envolvendo os contratos da CBF e o Sr. Ricardo Teixeira.  Casos antigos de envolvimento em corrupção e desvio de dinheiro que até hoje são lembrados, porém quase NUNCA punidos. Infelizmente!!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Deram muito espaço ao Ricardo Teixeira, diz Romário




Romário acredita que o Governo Federal preciso ser mais rigoroso com Teixeira e com a Fifa. Foto: Reuters Romário acredita que o Governo Federal preciso ser mais rigoroso com Teixeira e com a Fifa
Foto: Reuters
Romário está decidido a se tornar a voz mais ativa dos críticos à preparação do Brasil para a Copa do Mundo de 2014. Seu front inclui desde a falta de vigor do Governo Federal nas negociações com a Fifa às denúncias de irregularidade contra o presidente da CBF e do Comitê Organizador Local, Ricardo Teixeira.

O ex-atacante e agora deputado federal (PSB-RJ) teve frustrada este ano uma tentativa de levar Teixeira ao Congresso para prestar esclarecimentos sobre diferentes denúncias de corrupção, mas viu a decisão da Polícia Federal de iniciar um inquérito contra o dirigente como um "sinal verde" que pode melhorar o andamento dos preparativos.

"Não é bater de frente, é falar o que alguns às vezes não têm coragem de falar mas que é a pura verdade, a realidade, principalmente o que a gente está passando em relação à Copa do Mundo. As coisas que estão acontecendo alguém tem que se posicionar pelo menos o mínimo contrário", disse o ex-atacante, 45 anos, que liderou o Brasil na conquista do título mundial de 1994 e que deseja ter mais uma vez papel preponderante em um Mundial, desta vez fora dos campos.


Frouxidão com Teixeira
Romário disse que já tentou marcar um encontro com a presidente Dilma Rousseff para discutir a Copa do Mundo, mas que não foi possível por um conflito de agendas. Segundo ele, o Governo Federal tem sido frouxo tanto ao ceder a exigências da Fifa como na cobrança a Teixeira, que dirige o futebol brasileiro desde 1989 e também é o presidente do Comitê Organizador do Mundial.

"O governo tem que apertar, as coisas não são assim como ele (Teixeira) diz", afirmou Romário. "Claro que a CBF é a maior entidade, mas o futebol não tem dono. A Copa é do Brasil, do povo brasileiro."
Para o ex-jogador, Teixeira está prejudicando o andamento da preparação brasileira por conta das denúncias e da falta de diálogo com o governo.

"Acredito que se o governo tivesse cobrado mais do Ricardo Teixeira alguns anos atrás, ele não daria a entrevista que deu à Revista Piauí faltando respeito com os três Poderes e principalmente com a nossa presidente", disse.

Naquela entrevista, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol se colocou acima das autoridades do País no que diz respeito ao Mundial.
"A gente tem que ser grato ao Ricardo Teixeira por ter trazido a Copa para o Brasil. Parabéns, a gente agradece, ponto. Daqui para frente é o Brasil", afirmou.

Na avaliação de Romário, a investigação da PF sobre o dirigente esportivo a pedido do Ministério Público Federal por suspeita de lavagem de dinheiro em um suposto esquema de suborno envolvendo a Fifa pode abrir caminho para mudanças importantes na organização da Copa.

Procurada, a CBF disse através do diretor de comunicação Rodrigo Paiva que a entidade e Ricardo Teixeira não comentam as acusações.

Exigências da Fifa
Romário também está inconformado com os termos exigidos pela Fifa, em grande parte acatados pelo Governo Federal na Lei Geral da Copa, um conjunto de medidas cobradas pela Federação Internacional para a realização do Mundial que vão desde a proteção de marcas de patrocinadores ao direito de decidir os preços dos ingressos.

O projeto de lei enviado pelo Governo Federal está em estudo na Comissão de Turismo e Desporto da Câmara, da qual Romário é vice-presidente. Segundo o deputado, a lei não pode ser aprovada da forma atual, sem garantir o direito de idosos e estudantes à meia-entrada e contrariando a lei que proíbe a venda de bebidas alcoólicas em estádios, entre outros temas polêmicos.

"Essa lei da Copa é bem simples. A Fifa entra aqui no Brasil, leva um lucro de US$ 4 bilhões (R$ 7 bi), não tem nenhuma responsabilidade, e tudo de negativo que acontece cai no golo do governo. O que der de errado a culpa é do governo, e o que der de der certo, a Fifa sai só com os benefícios. Não sei que contrato é esse".

O ex-jogador, que lidera um grupo de parlamentares que já vistoriou 11 das 12 cidades-sedes do Mundial para inspecionar as obras, voltou a apontar os aeroportos e a mobilidade urbana como os principais problemas que o país terá com a infraestrutura. Ele disse que apenas quatro estádios estarão 100 % prontos para a Copa das Confederações de 2013. O governo tem prometido que dez estádios estarão prontos no fim de 2012.

"Os outros podem até estar prontos, mas vai ser com aquela maquiagem e o jeitinho brasileiro que a gente conhece", afirmou.

fonte: http://esportes.terra.com.br/futebol/brasil2014/noticias/0,,OI5412569-EI10545,00-Deram+muito+espaco+ao+Ricardo+Teixeira+diz+Romario.html


Dilma diz que vai manter meia-entrada na Copa do Mundo-2014

Antes de se reunir com representantes da Fifa nesta segunda-feira, em Bruxelas, na Bélgica, a presidente Dilma Rousseff deixou claro que pretende resistir à pressão da entidade e não recuar da decisão de permitir a meia-entrada nos jogos da Copa do Mundo-2014.
 
A informação está na coluna de Mônica Bergamo, publicada na edição desta segunda-feira da Folha. A íntegra do texto está disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha

"Minha querida, isso é uma lei brasileira", disse Dilma à coluna. "E não pode mudar. Não é uma questão de querer ou não querer", acrescentou.

A meia-entrada para os que têm mais de 60 anos está prevista no Estatuto do Idoso. Ingressos de estudantes são regulados por leis estaduais.

Além da questão sobre a meia-entrada, outros pontos de discórdia sobre a Lei Geral da Copa serão discutidos no encontro entre Dilma e representantes da Fifa.

Antes do encontro marcado para esta segunda-feira, Dilma tinha mantido distância dos dirigentes do futebol e colocou todos na geladeira, especialmente o presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Ele mantinha boa relação com o ex-presidente Lula mas sequer é recebido pela atual presidente.

Na semana passada, o ministro do Esporte, Orlando Silva, afirmou que a relação de Dilma com Ricardo Teixeira é institucional.

Nelson Almeida-30.jul.11/France Presse
Dilma entre Blatter (à esq.) e Pelé (dir.) durante sorteio das Elimanatórias da Copa
Dilma entre Blatter (à esq.) e Pelé (dir.) durante sorteio das Elimanatórias da Cop

fonte:http://www1.folha.uol.com.br/esporte/984664-dilma-diz-que-vai-manter-meia-entrada-na-copa-do-mundo-2014.shtml

Textos sugeridos e com comentário de André Mendes Capraro

Felizmente os políticos brasileiros não estão cedendo aos desmandos da FIFA e do constantemente investigado Ricardo Teixeira.

Alguns dias atrás Dilma Rousseff assegurou que não irá anular durante a realização da Copa do Mundo de 2014 nenhum benefício legal já conquistado pelo povo brasileiro. Consequentemente, entrou definitivamente em choque com os interesses comerciais da FIFA, que almejava extinguir a venda de meio-ingressos e a lei seca nos estádios.

Na mesma semana Romário lançou-se novamente na “cruzada” contra Teixeira e a prepotência do Comitê Executivo da FIFA, potencializando ainda mais as investigações realizadas pela Polícia Federal sob demanda do Ministério Público Federal e também ajudando a mudar a opinião pública que acreditava que o país deveria acatar todas as exigências da FIFA, já que as ameaças de troca de sede deixaram de ser sutis.

Já era ora!

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Crônica da semana

Mr. Teixeira é absorvido pelas mídias sociais.
Aline Jorge Corrêa.
Graduanda do curso de Educação Física-UFPR

Não muito recentemente, Mr. Teixeira foi sutilmente investigado e apontado de receber pagamentos ilícitos relacionados a uma companhia de marketing. Em resposta as acusações que lhe foram referidas; Teixeira declarou não preocupar-se com o que se veiculava sobre sua imagem. Alegou que apenas uma emissora deteria sua atenção e debochou os outros meios de comunicação, que canalizavam notícias sob condutas impróprias que este detivera.
Ricardo Teixeira confirmou em uma entrevista (realizada pela Revista Piauí) que essas denúncias não o estavam afetando; ele se utilizou de um vocábulo decaído socialmente, e afirmou ameaças abusando do poder instituído a ele através da CBF.
Logo após o ocorrido ser explanado pelos meios de comunicação – que não o preocupavam – alguns ‘internautas’ se mobilizaram através das mídias sociais para protestar a presença de Ricardo no cenário do futebol nacional. Através do twitter foi criado a hashtag #foraricardoteixeira, #caiforaricardoteixeira e #adeusrt para referir à indignação da população diante do que vinha acontecendo.
Subseqüentemente a isso foi desenvolvido um site (http://www.foraricardoteixeira.com.br/) que buscava rastear todas as tags acima supracitadas que referissem ao protesto. O caso gerou uma nova repercussão na mídia, – em alguns casos incentivando os leitores a participarem – adquirindo certa repercussão internacional (matéria publicada no Le Monde sobre o site). Fora também criado um blog ‘fora Ricardo Teixeira’ para noticiar qualquer esclarecimento (que possivelmente não fosse exposto pela mídia) sob o caso.
Torna-se visível a contribuição das mídias sociais enquanto forma de manifestação ao que vêem ocorrendo perante a presidência do futebol brasileiro. Ela adquiriu um caráter de vínculo, a partir de quando muitos aderiram à campanha sem o compromisso de uma deliberação social. Permitiu um conjunto de ações individuais que assumiu um ‘corpus’ diante de um discurso.
Assim, podemos considerar que a mídia social proporciona uma expansão do discurso, ao mesmo tempo em que ao produzi-lo ela subentende uma expressão do sujeito perante o contexto histórico em que está inserido. Notamos também que há um redirecionamento desse mecanismo informal de comunicação social, para uma produção formalizada de discurso, apresentando uma repercussão social, inclusive em nível internacional, do que era até então um poder discursivo individual. Conformando um ‘nós’ verificamos uma reivindicação de uma mudança na estrutura administrativa de uma instituição social.
O exemplo do que ocorreu com Ricardo Teixeira demonstra o que as projeções discursivas de internautas podem vir a gerar quando organizada e muito bem veiculada.