A RESPEITO DO MARKETING NO FUTEBOL BRASILEIRO: O EXEMPLO DO SPORT CLUB CORINTHIANS PAULISTA
por Everton Cavalcanti
Utilizando de minha vastíssima experiência como torcedor do time do povo, já que o meu clube de coração tem o nome Corinthians Paulista, quero tentar raciocinar (passionalmente que seja) acerca de um assunto que até tão pouco tempo atrás não recebia importância alguma e que no presente momento é um dos temas da moda: o marketing. Em se tratando de Corinthians, a máxima não foge a regra: o marketing foi ignorado durante longo período, recebendo a devida atenção, sobretudo, após a eleição do atual presidente, Andrés Navarro Sanchez. Este teve o mérito de perceber que o processo histórico pelo qual o futebol atravessa, denominado “futebol-espetáculo”, não vinha sendo aproveitado de maneira adequada pela até então desastrosa liderança política de Alberto Dualib.
Falando em Dualib, lembro-me de dirigentes futebolísticos sem nenhum preparo profissional para comandarem o futebol quando este espetacularizou-se, quem pelo menos um pouco se profissionalizou, ganhou muitos títulos e fez bons negócios, como o maior rival corintiano, na época da Parmalat. Percebemos que ao longo dos anos este processo de mercantilização do futebol abriu as portas para a profissionalização dos departamentos de futebol. E antes tarde do que nunca, Andrés assim o fez também no Corinthians. Hoje o clube possue um departamento de marketing com profissionais da área de publicidade e propaganda, responsáveis por “explorar” a marca Corinthians nos seus maiores potenciais.
Hoje o Corinthians é um dos clubes com maior número de sócios torcedores, possuindo um plano de associados diferente da maioria dos outros clubes: o torcedor que se associa paga a anuidade e tem descontos na compra de ingressos, além de preferência na compra pelos bilhetes, ou seja, o Corinthians arrecada com a adesão aos planos de sócio e também com a venda dos bilhetes. Mantendo o estádio do Pacaembu quase sempre lotado (o clube tem a maior média de público do Campeonato Brasileiro de 2011), o clube ainda atende todos os tipos de público torcedor/cliente que possui, com ingressos que variam de R$30,00 à R$180,00 (sem os descontos previstos para os associados), consegue atender praticamente todas as classes de torcedores corintianos (já que, ao contrário das piadinhas, o clube conta com muitos torcedores abastados financeiramente).
Além do plano para sócios, entre outras ações, o clube criou também sua própria agência de viagens, visando oferecer pacotes para os jogos do “timão” fora de casa, o que possibilita uma renda extra, além de organizar cruzeiros marítimos exclusivos para a “fiel” torcida. Possui também a TV Corinthians, que hoje é transmitida por algumas redes de televisão a cabo para todo Brasil, além da rádio Coringão, responsável por trazer conteúdo inédito e exclusivo dos bastidores do time. O marketing também trabalha na campanha “Sangue Corintiano”, a qual visa juntar o máximo de corintianos em um único dia com o intuito de ajudar pessoas pela doação de sangue, além de outras campanhas como a “República Popular do Corinthians”, que visa promover ainda mais o “corintianismo” pelo Brasil e a campanha “Jogando pelo meio ambiente”, na qual cada jogo do clube vale 100 novas árvores plantadas e a cada gol do time outras 100 mudas.
Mas o destaque vai para a mediação do marketing com a torcida pelas redes sociais, já que nestas o clube é um dos assuntos mais comentados. Só para se ter uma ideia, o Corinthians acaba de se tornar o primeiro clube brasileiro com mais de 1 milhão de fãs no facebook, além de ter um grande número de comunidades a seu respeito para discussões no orkut. E o principal, a “cereja do bolo” que os “marketeiros” do timão se gabam de ter conseguido: o veemente crescimento na venda de produtos licenciados do clube e o aumento da porcentagem de lucro na venda dos mesmos junto à empresa Nike. O Corinthians está sempre elaborando novas promoções e novos produtos para que seus torcedores estejam constantemente consumindo, além de que, tem expandido o número de lojas “Poderoso Timão” em todo país, a fim de vender e identificar ainda mais o torcedor de São Paulo e de outros estados com o clube.
Enfim, sem falar em patrocinadores e o impacto que as contratações de jogadores como Ronaldo e Adriano trazem, o que pretendo deixar nesse pequeno texto é a mensagem de que a nova concepção de futebol moderno trouxe consigo nos últimos 20 anos possibilidades que somente agora a maioria dos clubes brasileiros está realmente aproveitando de maneira satisfatória, ou seja, o esporte como produto ímpar de consumo. A lógica é que os jogadores são potencializadores da venda, o jogo é um grande show e os torcedores são evidentemente os consumidores. E a partir da profissionalização dos departamentos de futebol dos clubes brasileiros e a relação destes com outras áreas possibilitarão uma maior exposição da marca do clube e um arrecadamento mais vantajoso em termos financeiros, possibilitando o pagamento de dívidas, além de novos investimentos, como, por exemplo, no caso do Corinthians, o CT Joaquim Grava e o tão sonhado estádio, já programado para ser construído antes mesmo do Morumbi ser vetado para a Copa do Mundo de 2014.

