Como minha tarefa mensal de escrever para nosso blog, minha opção foi divulgar uma crônica ainda pouco conhecida entre nós, de autoria do flâneur carioca do começo do século XX, João do Rio, pseudônimo de João Paulo Alberto Coelho Barreto. Nascido em 1881, João do Rio foi um dos primeiros a perceber que naquela expressão esportiva do futebol nascia uma paixão e, com ela, uma identidade cultural brasileira. Esse texto – A hora do football – foi publicado originalmente em 1916. Era um contexto em que o mundo civilizado encontrava-se em pleno autoextermínio (a I Guerra Mundial) e experimentava um antagonismo entre a descrença no progresso (o fim da era vitoriana, provocado pela guerra) e a esperança no homem novo. Um “homem novo” que pode ser sintetizado tanto na frustração freudiana à cura do mal-estar civilizacional, quanto no maior crime da humanidade, que imaginava resolver os males da civilização, com o extermínio de homens e mulheres de “raças impuras”.
É nesse compasso (ou descompasso) do desenvolvimento das ciências e da política que se forjou uma febre esportiva, que Machado de Assis, já em 1896, chamara de “civilização esportiva”, inaugurando a crítica ao que se tornou o culto da modernidade (e, sobretudo da pós-modernidade): o corpo olímpico dos atletas.
Para saber mais, leiam a tese de doutorado do André Mendes Capraro, ou o capítulo de Nicolau Sevcenko, no qual se inspirou Capraro. Boa leitura!